ESTREIA-Animação "9 - A Salvação" é produzida por Tim Burton

quinta-feira, 8 de outubro de 2009 11:07 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - 9 é uma criaturinha estranha. Pequeno e feito de estopa, ele possui um zíper em sua barriga, dois olhos grandes em forma de obturador de câmera fotográfica que, quando se abrem, veem um mundo pós-apocalíptico, dominado por máquinas, onde seus oito antecessores tentam sobreviver a monstros mecânicos.

Este é o cenário no qual se desenvolve a animação "9 - A Salvação", criada por Shane Acker a partir de seu curta homônimo, que foi indicado ao Oscar em 2006, com produção de Tim Burton ("A Fantástica Fábrica de Chocolate", "A Noiva Cadáver") e do russo Timur Bekmambetov.

No longa, que estreia em todo o país em cópias dubladas e legendadas, o diretor expande seu filme original (disponível na Internet), dando voz aos personagens e aprofundando as situações, além de trabalhar mais no visual.

O personagem 9 (Elijah Wood, na versão legendada/ Vagner Abiate Fagundes, na brasileira) acorda nesse mundo e logo encontra o 2 (Martin Landau/ Marcelo Pissardini), que o ajuda a encontrar sua voz. O novo amigo é capturado por uma criatura mecânica. Entra em cena outro homenzinho minúsculo como 9 e 2 - trata-se de 5 (John C. Reilly/ Marcelo Campos). Aos poucos, o pequeno protagonista descobre um grupo igual a ele.

O líder é o 1 (Christopher Plummer/ Gileno Santoro), que prefere esconder-se no interior de uma catedral destruída a desbravar o mundo. Outros não compartilham dessa opinião. Os gêmeos e mudos 3 e 4 são curiosos e investigam tudo. Já a número 7 (Jennifer Connelly/ Leticia Quinto) é especialista em artes marciais e vive distante do grupo.

Com um roteiro escrito por Pamela Pettler ("A Noiva Cadáver"), "9 - A Salvação" nem sempre consegue manter o mesmo ritmo ao longo de quase 80 minutos. Algumas discussões, um tanto quanto filosóficas, e um final meio místico poderiam até afetar a qualidade do trabalho. Mas a forma como Acker se atém à sua integridade artística é um indiscutível mérito.

Relacionando-se com a pintura, a literatura fantástica, primórdios da animação e os totalitarismos do século passado, "9 - A Salvação" é uma parábola sobre a desumanização em contraposição ao avanço da tecnologia.

Uma história ao mesmo tempo empolgante e enigmática, o filme pode assustar as crianças pequenas, com seu visual soturno, seu humor retraído e a falta de figurinhas fofas - apesar do fato de os homenzinhos serem engraçadinhos de uma forma estranha.

Os adultos, porém, terão muito mais o que aproveitar nesse filme, tanto das suas discussões sobre os avanços tecnológicos quanto de suas imagens sombrias. Não por acaso, "9 - A Salvação" vai muito bem ao gosto de seu produtor Tim Burton, embora deixe de lado um pouco do humor cínico dos filmes do cineasta.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

 
<p>A anima&ccedil;&atilde;o "9 - A Salva&ccedil;&atilde;o" foi produzida pelo diretor Tim Burton REUTERS/Stefano Rellandini (ITALY)</p>