Documentos revelam que Mussolini espionou para a Grã-Bretanha

quarta-feira, 14 de outubro de 2009 17:02 BRT
 

Por Georgina Cooper

LONDRES (Reuters) - Ele fazia parte do eixo nazista que quase deixou a Grã-Bretanha de joelhos na Segunda Guerra Mundial, mas documentos históricos agora revelam que o ditador italiano Benito Mussolini já esteve na folha de pagamento da inteligência britânica.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Mussolini era um jornalista socialista que dirigia o jornal popular Il Popolo d'Italia em Milão. Na época, a Itália era aliada à Grã-Bretanha e à França na luta contra a Alemanha.

Os serviços secretos britânicos precisavam desesperadamente que Mussolini imprimisse propaganda em prol da guerra para manter a Itália na batalha, disse o historiador Peter Martland, de Cambridge, que descobriu detalhes dos pagamentos semanais de 100 libras feitos pelo MI5 a Mussolini em 1917.

"A inteligência britânica estava subsidiando o jornal de Mussolini e de forma barata. Mas era uma parte de uma campanha maior para fazer com que a Itália permanecesse na guerra", disse Martland à Reuters.

Martland disse que os pagamentos foram autorizados por Sir Samuel Hoare, um parlamentar que chefiava uma equipe de espiões de 100 pessoas cujo objetivo principal era manter a Itália como aliado.

Embora 100 libras por semana fosse muito dinheiro há 92 anos, era uma gota no oceano comparado ao que a Grã-Bretanha gastava no esforço de guerra.

"É muito dinheiro, mas essa guerra estava custando 4 milhões de libras por dia, perto de 13 milhões de libras por semana", disse Martland.

Mussolini contratou brutamontes para espancar manifestantes pacifistas --uma tática que ele reutilizaria com seus camisas-negras fascistas.   Continuação...