ESTREIA-"Distrito 9" mostra racismo contra alienígenas no futuro

quinta-feira, 15 de outubro de 2009 16:32 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A invasão da Terra por alienígenas é tema eterno nos filmes de ficção científica, quase sempre com os aliens como vilões.

Imagine-se agora o contrário: uma nave com alienígenas doentes e subnutridos chega por acaso à Terra, em 2012, sem nenhuma intenção belicosa. São resgatados numa operação humanitária. No final, acabam segregados em campos de concentração, na África do Sul, onde passam a viver isolados e sem poder se integrar à sociedade.

Os seres extra-terrestres são alimentados com restos de comida e mantidos sob um controle precário com a distribuição de latas de ração para gatos, disputadas no mercado negro e que servem de moeda em troca de armas e drogas.

Em "Distrito 9", de Neill Blomkamp, essa história é contada em tom de falso documentário, numa África do Sul que parece não ter se livrado totalmente do estigma do apartheid, já que usa as políticas do antigo regime que segregava os negros, agora para isolar os alienígenas.

Depois do sucesso estrondoso nos Estados Unidos, "Distrito 9", feito com apenas 30 milhões de dólares, chega aos cinemas brasileiros com a expectativa de carreira semelhante e com uma continuação já em estudo pelos produtores.

Esse apartheid contemporâneo, que prende a atenção pela história e pelos efeitos especiais, faz lembrar o brasileiro "Tropa de Elite", já que nessa África do Sul futurista a tropa de choque chamada para conter as rebeliões dos ETs usa métodos semelhantes aos utilizados pelos comandados do capitão Nascimento.

Blomkamp, que também é sul-africano, cria uma fábula moderna e inquietante ao eleger os seres humanos como os grandes vilões da história. E não faltam referências, nada sutis, aos programas de eugenia da Alemanha nazista e aos métodos empregados pelos governos racistas sul-africanos, antes da abolição do apartheid, para privar a população negra das conquistas do regime.

O Distrito 9, onde os ETs vivem isolados, é semelhante às imensas favelas de Soweto, em Johanesburgo, onde vivia e ainda vive a população negra e pobre do país.

No filme, o controle dos alienígenas é cada dia mais difícil, em face do aumento populacional e das condições precárias em que vivem, clima favorável para a deflagração de constantes rebeliões e atos de vandalismo.   Continuação...

 
<p>Cena do filme "Distrito 9", que estreia nesta sexta-feira no Brasil. REUTERS/Sony International Pictures/Handout</p>