Nazistas usavam escravas sexuais nos campos, diz livro

sexta-feira, 16 de outubro de 2009 13:26 BRT
 

Por Jonathan Gould

FRANKFURT (Reuters) - Os nazistas obrigaram mulheres a se prostituir em um sistema de bordeis nos campos de concentração, visando elevar a produtividade entre os prisioneiros durante a 2a Guerra Mundial, revela um livro recém-lançado.

O chefe de segurança de Adolf Hitler, Heinrich Himmler, montou os bordeis e criou um sistema de bônus que os prisioneiros dos campos podiam usar para comprar privilégios, como cigarros ou sexo.

"Himmler acreditava profundamente na potência sexual dos homens. Pensava que o uso de bordeis poderia forçar os homens a trabalhar mais", disse Robert Sommer, autor de "Das KZ-Bordell", sobre os bordeis dos campos de concentração, na Feira de Livros de Frankfurt.

O primeiro bordel desse tipo foi criado no campo de concentração de Mauthausen em 1942, e em seguida o programa foi levado a dez outros campos, incluindo os maiores, como Buchenwald, Dachau, Ravensbrueck, Sachsenhausen e Auschwitz.

O último foi criado em 1945, meses antes do término da guerra, para atender ao campo de Mittelbau-Dora, onde eram construídos foguetes V2.

"Himmler acreditou até o final que o sistema funcionaria, coisa que não correspondia à realidade", disse Sommer, que passou quase dez anos fazendo pesquisas para o livro em cerca de 70 arquivos diferentes.

Sommer conseguiu entrevistar alguns homens que frequentaram os bordeis, mas não conseguiu falar com nenhuma das mulheres convertidas em trabalhadoras sexuais.

A maioria das testemunhas dos crimes cometidos na 2a Guerra Mundial já morreu. Mas o julgamento de John Demjanjunk, suspeito de ter sido guarda num campo de concentração e acusado de ajudar a matar 27.900 judeus durante a guerra, terá início no final de novembro.   Continuação...