Memórias da irmã de Fidel são de "mau gosto", diz revista cubana

segunda-feira, 2 de novembro de 2009 19:50 BRST
 

HAVANA (Reuters) - As recém-publicadas memórias de Juanita Castro, livro em que a irmã mais nova dos líderes cubanos Fidel e Raúl Castro revela que trabalhou para a CIA na década de 1960, são "uma operação comercial de mau gosto e baixo nível moral," afirmou nesta segunda-feira uma revista estatal da ilha.

Um artigo divulgado no site da revista La Jiribilla na Internet desqualifica o livro "Mis hermanos Fidel y Raúl. La historia secreta" como produto da "indústria do anticastrismo em Miami."

"Ninguém pode esperar revelações transcendentes, nem um fato político. Trata-se simplesmente de uma operação comercial de mau gosto e baixo nível moral," diz o artigo assinado por Jorge Gómez.

É a primeira reação na imprensa oficial cubana ao livro autobiográfico publicado na semana passada, no qual Juanita Castro conta como se desiludiu com o sistema comunista instalado por seus irmãos depois da revolução de 1959.

Juanita Castro, de 76 anos, revela que antes de asilar-se em Miami colaborou com a Agência Central de Inteligência norte-americana (CIA, na sigla em inglês) e ajudou opositores do governo a escaparem de seu irmão.

"Se for correto (...) seria apenas mais uma entre milhares de cubanos que por presentes, dinheiro ou outras motivações, entre as quais pode estar incluído o ódio, os afãs de vingança e a intolerância trabalharam para a CIA," acrescenta o artigo.

Juanita Castro rompeu publicamente em 1964 com seus irmãos e garante que desde então jamais conversou com eles. Mora em Miami, onde continua sendo uma forte crítica do governo cubano.

O artigo sobre Juanita Castro foi surpreendentemente retirado da página de La Jiribilla na tarde desta segunda-feira.

(Reportagem de Rosa Tania Valdés)

 
<p>As rec&eacute;m-publicadas mem&oacute;rias de Juanita Castro, livro em que a irm&atilde; mais nova dos l&iacute;deres cubanos Fidel e Ra&uacute;l Castro revela que trabalhou para a CIA na d&eacute;cada de 1960, s&atilde;o "uma opera&ccedil;&atilde;o comercial de mau gosto e baixo n&iacute;vel moral," afirmou uma revista estatal da ilha. REUTERS/Carlos Barria</p>