ESTREIA - Em "2012", Emmerich volta a retratar o fim do mundo

quinta-feira, 12 de novembro de 2009 13:19 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Apesar de alemão, o diretor Roland Emmerich sempre pareceu mais interessado em seguir os preceitos do cinema de ação de Hollywood. Fã do que há de mais moderno em efeitos especiais e com uma agilidade de câmera que às vezes deixa o espectador atordoado, o cineasta sempre mostrou que esse é o seu jeito de trabalhar, tal como foi visto em "Soldado Universal" (1994) e "10.000 A.C." (2008).

Outra predileção de Emmerich é destruir o planeta. Vez ou outra, lá está ele com suas hecatombes, provenientes ou de uma mudança climática ("O Dia Depois de Amanhã") ou de uma invasão alienígena ("Independence Day"). Em seu mais recente trabalho, "2012", não é diferente. Com mirabolantes teorias maias e geológicas, o filme estreia em circuito nacional, em cópias dubladas e legendadas, na sexta-feira.

A produção tem início com uma descoberta fatídica: o centro da Terra se transformou em uma espécie de forno microondas prestes a explodir. No vasto cardápio de catástrofes relacionadas, haverá uma reversão do campo magnético, mudanças no eixo de rotação, a crosta terrestre dissolvendo-se sob os pés de populações histéricas. Enfim, o fim do mundo.

Evidentemente, o presidente dos Estados Unidos (Danny Glover, de "Dogville") recebe a notícia e, com a ajuda de outros países (os mais ricos), estabelece um plano secreto de "sobrevivência" para a humanidade. Nesse meio tempo, um escritor fracassado e com problemas de relacionamento, Jackson (John Cusack, "O Contrato"), tenta passar o fim de semana com os filhos, que preferem o padrasto ao pai.

Durante o passeio, ele acaba conhecendo o pirado Charlie (Woody Harrelson), cuja rádio pirata fala sobre o fim do mundo. Não passa muito tempo até Jackson perceber que o maluco é quem tinha razão e foge para salvar sua família. A grande questão, no entanto, é quem será convidado para sobreviver à hecatombe.

Competente na técnica, Emmerich parece não dar grande atenção ao conteúdo, à narrativa, ou aos conflitos. Em sua lógica plástica, prefere a estética, sem se importar se a história está realmente bem contada. Em determinado momento, alguns personagens são simplesmente esquecidos. Por isso, é previsível o desenrolar da trama, visto que o cineasta escolhe o caminho mais fácil.

Chama a atenção, no entanto, a atuação do elenco, que parece pouco à vontade em seus personagens. John Cusack, que tem escolhido papéis medianos há tempos, parece distante. Uma falta de emoção que transparece num filme do qual, sem os efeitos especiais, não sobra quase nada, como no fim do mundo.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

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