Relevo brasileiro é destaque em leilão de arte latina em NY

quinta-feira, 19 de novembro de 2009 17:55 BRST
 

Por Walker Simon

NOVA YORK (Reuters) - Uma paisagem vulcânica de nus sem vida, pintada pelo chileno Roberto Matta, e um labirinto em relevo de madeira branca, de autoria do brasileiro Sérgio Camargo, encabeçaram um animado leilão de arte latino-americana, com lances dignos dos tempos de maior pujança econômica.

A Sotheby's obteve 14,76 milhões de dólares nessa venda, superando a própria expectativa da casa de leilões. Os compradores incluem colecionadores da Rússia, da Indonésia e da África do Sul, raramente vistos com tal força em leilões de arte latino-americana, segundo o leiloeiro August Uribe.

"Testemunhamos um fôlego e uma profundidade notáveis nos lances desta noite (de quarta-feira), não só vindos das Américas, mas também de toda a Europa e Ásia", disse María Bonta de la Pezuela, vice-presidente e especialista-sênior da Sotheby's.

A obra mais cara foi "Desnudos Infinitos", do chileno Roberto Matta (1911-2002), vendida por 2,5 milhões de dólares.

Inspirada nos vulcões mexicanos, essa tela de 1941-42 mostra torsos, pernas e peitos em tons de violeta e cinza. As partes dos corpos descem e se dissolvem em um inferno de línguas de lava vermelha e redemoinhos de amarelo e verde.

Uribe disse que o estilo de Matta, caracterizado por pinceladas rápidas, influenciou o nascente expressionismo abstrato dos EUA, de nomes como Robert Motherwell e Jackson Pollock. Segundo historiadores da arte, esses artistas norte-americanos estudaram com Matta no começo da década de 1940 no Greenwich Village, em Nova York.

Já "Relevo", obra de 1964 do brasileiro Sérgio Camargo (1930-90), saiu por 1,6 milhão de dólares. Trata-se de um labirinto de pedaços de madeira branca, com as pontas voltadas para vários lados. Nunca uma obra desse artista havia sido vendida por um valor tão elevado.

Uribe disse que colecionadores brasileiros fizeram lances especialmente altos graças à força do real, que se valorizou 35 por cento frente ao dólar neste ano.

Outra obra muito disputada foi "La Lectora" ("A Leitora"), de 1890, de autoria do venezuelano Cristóbal Rojas (1857-1890), vendida por 1,17 milhão de dólares. Pintada na França, a tela mostra uma jovem sentada junto a uma janela, sob uma luz melancólica, lendo um volume surrado. Rojas foi um artista premiado na França, mas suas obras são mais conhecidas na Venezuela -- onde estão expostas, por exemplo, na chancelaria e no palácio presidencial.

Ao todo, 86 por cento dos lotes à venda foram arrematados na quarta-feira à noite, no que foi um dos três leilões de arte latino-americana mais bem-sucedidos da Sotheby's na última década. Quase 70 por cento dos lotes superaram as expectativas de casa.