Escavações na Espanha não acham restos mortais de Garcia Lorca

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009 12:38 BRST
 

Por Raquel Castillo

MADRI (Reuters) - Escavações feitas no sul da Espanha não conseguiram localizar os restos mortais do poeta espanhol Frederico Garcia Lorca, cujo assassinato em 1936 tornou-se símbolo de um guerra civil brutal, revelou relatório forense nesta sexta-feira.

As escavações começaram no mês passado numa colina rochosa onde durante décadas se acreditou que o corpo do poeta tivesse sido enterrado. O fato de seus restos não terem sido encontrados deixa em dúvida se isso será feito algum dia.

"Não foram encontrados resquícios de ossadas humanas ou outros sinais próprios dos túmulos de mortos na guerra civil", diz um relatório do Departamento de Arqueologia da Universidade de Granada.

Os espanhóis permanecem divididos quanto aos trabalhos de localização dos cerca de 100 mil corpos de pessoas dadas como mortas e desaparecidas na Guerra Civil de 1936-39. A maioria foi fuzilada pelos partidários de direita de Francisco Franco.

Mas poucos casos suscitam mais comoção quanto o de Garcia Lorca, e as investigações foram atrasadas durante décadas pela guerra civil, os 40 anos de ditadura, uma transição democrática intranquila e disputas legais.

As autoridades locais ordenaram a escavação como parte de uma investigação mais ampla dos restos mortais de vítimas da guerra civil.

A sobrinha do poeta, Laura Garcia Lorca, se negou a comentar a notícia, mas já declarou repetidas vezes que a família se opõe às escavações porque não acredita que a descoberta de restos mortais possa ajudar a curar feridas antigas.

Conhecido por obras que incluem sua peça "Bodas de Sangue", Garcia Lorca foi capturado em agosto de 1936 e fuzilado devido a sua posição esquerdista suspeita por partidários de um levante militar que ocorrera no mês anterior.   Continuação...

 
<p>Fot&oacute;grafos perto a &aacute;rea onde acrediatava-se que o poeta espanhol Federico Garcia Lorca e outros estavam enterrados, nesta foto de arquivo tirada em Alfacar, nos arredores de Granada, Espanha, 28 de outubro de 2009. REUTERS/Pepe Marin</p>