ESTREIA-"Hanami" mostra com sutileza as voltas que a vida dá

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009 11:19 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O drama alemão "Hanami - Cerejeiras em Flor", que estreia em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Juiz de Fora, mostra como a vida dá voltas inesperadas.

Flertando seriamente com a cultura japonesa, o filme da diretora alemã Doris Doerrie ("Dinheiro, Dinheiro, Dinheiro") muitas vezes se deixa encantar demais com o exotismo, esquecendo-se de aprofundar os personagens e tramas, esbarrando sempre no olhar do estrangeiro encantado com o diferente.

No filme, Rudi (Elmar Wepper) é um homem de certa idade que está doente e tem pouco tempo de vida. Ele ignora isso, mas sua mulher, Trudi (Hannelore Elsner, de "Todos contra Zucker"), sabe. Ela quer convencê-lo a viajar para o Japão e visitar o filho e conhecer o Monte Fuji - um sonho dela.

Ele se mostra irredutível, e os dois acabam indo para Berlim visitar os outros filhos. Depois, seguem para a região do oceano Báltico. Mas são surpreendidos pelas reviravoltas do destino.

Trudi morre depois de um passeio na praia e, sozinho, Rudi tem de se adaptar a uma vida nova. Só então ele vê a necessidade de fazer a viagem ao Japão que sua mulher tanto planejara.

Hospedado no minúsculo apartamento do filho Karl (Maximilian Brueckner, de "Uma mulher contra Hitler"), Trudi passa os dias sozinho, zapeando por uma programação de televisão que não entende, já que não fala japonês. Cansado de ficar fechado em casa, sai para explorar Tóquio. A cidade, que combina modernidade e tradição, o seduz e assusta ao mesmo tempo.

Num parque, ele conhece uma jovem que dança Butô. Ela se chama Yu (Aya Irizuki) e também atravessa um momento delicado. Depois de perder a mãe, passa o tempo se "comunicando" com ela por meio da dança.

Uma amizade inusitada surge entre os dois e a diretora carrega um pouco nas tintas do sentimentalismo e das metáforas. Se fosse mais comedida, o filme poderia ser mais eficiente, pois aborda temas bastante relevantes e delicados, como o da superação da perda e os ciclos da vida.

Fica a impressão de que a intenção da diretora não é apenas a de fazer um filme que se passe no Japão, mas de imitar um estilo de cinema japonês. A busca pela simplicidade e a temática dos sentimentos na vida cotidiana remetem diretamente ao cineasta Yasujiro Ozu - autor de clássicos como "Pai e Filha" e "Contos de Tóquio".   Continuação...

 
<p>As atrizes Aya Irizuki e Nadja Uhl posam durante sess&atilde;o de fotos do drama alem&atilde;o "Kirschbluetan-Hanami" (Hanami-Cerejeiras em Flor) durante o Festival de Cinema Internacional de Berlin no dia 17 de fevereiro. O filme estreia em S&atilde;o Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Juiz de Fora, e mostra como a vida d&aacute; voltas inesperadas. REUTERS/Fabrizio Bensch</p>