23 de Dezembro de 2009 / às 20:15 / 8 anos atrás

Órgãos de Mafra revivem pompa real portuguesa

<p>T&eacute;cnico de m&uacute;sica, Dinarte Machado, afina um dos seis &oacute;g&atilde;os na bas&iacute;lica do pal&aacute;cio de Mafra a 40 quil&ocirc;metros de Lisboa no dia 18 de dezembro. Todos os seis hist&oacute;ricos &oacute;rg&atilde;os soaram para o p&uacute;blico pela primeira vez neste m&ecirc;s, recriando parte do antigo esplendor da realeza portuguesa. REUTERS/Jose Manuel Ribeiro</p>

Por Andrei Khalip

LISBOA (Reuters Life!) - Todos os seis históricos órgãos da basílica do palácio de Mafra soaram para o público pela primeira vez neste mês, recriando parte do antigo esplendor da realeza portuguesa.

O conjunto barroco de Mafra, construído no século 18 um pouco ao norte de Lisboa para rivalizar com o Escorial (Espanha) e a basílica de São Pedro (Vaticano), tem o maior número de órgãos concebidos para serem tocados simultaneamente numa igreja.

“Não há paralelo no mundo para seis órgãos deste tamanho construídos especificamente para serem um conjunto”, disse o mestre organista Dinarte Machado, de 50 anos, que comandou um processo de restauração que consumiu sete anos e mais de 1 milhão de euros, ou 1,43 milhão de dólares.

Centenas de metros de galerias labirínticas ligam os imponentes instrumentos --dois na capela-mor e dois em cada lado do transepto da basílica-- permitindo que o ágil Machado e suas ferramentas de afinação tenham acesso aos tubos e trombetas acima dos balcões de madeira ornamentada onde o organista se senta.

“Esta é a primeira vez que o público geral pode ouvir a sonoridade básica dos seis órgãos”, acrescentou Machado, que continua afinando os instrumentos até o fim de abril, depois do primeiro teste em público.

Até mesmo dom João 6o, que era o príncipe-regente na época em que os órgãos foram concluídos (1807), teve poucas chances de aproveitá-los, já que seus tubos foram calados pelos tambores da guerra.

Napoleão invadiu Portugal naquele mesmo ano, levando a família real a fugir para o Brasil. Quando o rei voltou a Lisboa, em 1821, cinco dos órgãos estavam sendo reparados. “O órgão remanescente foi desmontado em 1831, e fui eu quem o montou de novo”, contou Machado.

Mais de 2.000 pessoas lotaram a basílica para um concerto beneficente neste mês, quando uma peça tradicional foi executada nos seis órgãos. Machado disse que o som era “espetacular e emotivo”, como se cada órgão fosse um coral de 50 a 60 vozes.

“Adorei. Foi como ascender aos céus”, disse Fernanda Capela, vestida elegantemente na plateia.

Machado disse que, além de restaurar os órgãos, que estavam “todos podres por dentro” devido à umidade, a afinação foi um desafio, mesmo com todos os modernos equipamentos eletrônicos para isso.

Quando o trabalho de afinação estiver concluído, em abril, Portugal deve usar os órgãos de Mafra para grandes eventos musicais. “Há um grande potencial para promover a cultura do país. Deveríamos abrir este lugar para que organistas de todo o mundo venham aqui dar concertos.”

Reportagem adicional de Miguel Pereira

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