ESTREIA-"Onde Vivem os Monstros" foca infância de modo criativo

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010 13:29 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Max é uma criança que gosta da sua fantasia de lobo. Gosta também de inventar histórias fantásticas. Adora brincar na neve, construir iglus e atormentar o seu cachorro. Uma pena que ele não tenha muitos amigos com quem dividir essas diversões.

De vez em quando, sua mãe - muito amorosa, mas não tão atenciosa - estimula-o a contar uma de suas narrativas repletas de invencionices e as registra no computador. Uma vez, a irmã mais velha e seus amigos brincam na neve com o garoto, mas, sem querer, o machucam. Ao menino não restam muitas opções e seu isolamento aumenta cada vez mais.

Esse é o ponto de partida de "Onde Vivem os Monstros", que estreia no país, curiosamente, apenas em cópias legendadas, apesar de se tratar, em princípio, de uma história infanto-juvenil.

Dirigido por Spike Jonze ("Adaptação", "Quero ser John Malkovich"), o roteiro do filme - assinado pelo diretor e o escritor Dave Eggers (autor do livro de memórias "Comovente Obra de Espantoso Talento", entre outros) - adapta um livro infantil de Maurice Sendak, de cerca de 20 páginas e 10 frases, num longa de quase duas horas.

Para tal feito, a narrativa expande não apenas a bagunça promovida entre Max e seus amigos-monstros imaginários, mas também se aprofunda na relação familiar, que é a chave para o isolamento de Max.

Max é interpretado por Max Records - que havia feito uma pequena participação em "Os Vigaristas". A presença mais forte na vida do protagonista é a mãe - vivida por Catherine Keener ("Sinédoque, Nova York"). Mas quando ela não dá atenção exclusiva ao garoto, ele se irrita ainda mais.

Um dia, depois de uma briga, ele a morde e foge de casa. Tal qual a Dorothy que vai para a Terra de Oz, em "O Mágico de Oz", Max "viaja" para uma ilha habitada pelos mais diversos tipos de monstros.

Ninguém espere uma atmosfera Disney aqui - nem no menino, nem nos monstros, que não são fofinhos ou engraçadinhos. Com o tempo, quando os conhecemos melhor, tornam-se adoráveis, por conta de suas personalidades, atos e gestos, ainda que excêntricos.

Em vez de utilizar computação gráfica para a composição das criaturas, Jonze optou pelo método "arcaico", com bonecos gigantescos - o que acentua a veracidade e o encantamento do filme. É perceptível que o ator Max está contracenando com os monstros - e não com o vazio, no qual posteriormente seriam adicionadas as criaturas, se fossem digitais.   Continuação...

 
<p>O ator e produtor Tom Hanks chega &agrave; estreia do filme "Onde vivem os monstros" em Nova York no dia 13 de outubro de 2009. O filme estreia esta semana no Brasil. (Foto Arquivo Reuters) REUTERS/Lucas Jackson</p>