14 de Janeiro de 2010 / às 14:19 / 8 anos atrás

ESTREIA-"Onde Vivem os Monstros" foca infância de modo criativo

<p>O ator e produtor Tom Hanks chega &agrave; estreia do filme "Onde vivem os monstros" em Nova York no dia 13 de outubro de 2009. O filme estreia esta semana no Brasil. (Foto Arquivo Reuters) REUTERS/Lucas Jackson</p>

SÃO PAULO (Reuters) - Max é uma criança que gosta da sua fantasia de lobo. Gosta também de inventar histórias fantásticas. Adora brincar na neve, construir iglus e atormentar o seu cachorro. Uma pena que ele não tenha muitos amigos com quem dividir essas diversões.

De vez em quando, sua mãe - muito amorosa, mas não tão atenciosa - estimula-o a contar uma de suas narrativas repletas de invencionices e as registra no computador. Uma vez, a irmã mais velha e seus amigos brincam na neve com o garoto, mas, sem querer, o machucam. Ao menino não restam muitas opções e seu isolamento aumenta cada vez mais.

Esse é o ponto de partida de “Onde Vivem os Monstros”, que estreia no país, curiosamente, apenas em cópias legendadas, apesar de se tratar, em princípio, de uma história infanto-juvenil.

Dirigido por Spike Jonze (“Adaptação”, “Quero ser John Malkovich”), o roteiro do filme - assinado pelo diretor e o escritor Dave Eggers (autor do livro de memórias “Comovente Obra de Espantoso Talento”, entre outros) - adapta um livro infantil de Maurice Sendak, de cerca de 20 páginas e 10 frases, num longa de quase duas horas.

Para tal feito, a narrativa expande não apenas a bagunça promovida entre Max e seus amigos-monstros imaginários, mas também se aprofunda na relação familiar, que é a chave para o isolamento de Max.

Max é interpretado por Max Records - que havia feito uma pequena participação em “Os Vigaristas”. A presença mais forte na vida do protagonista é a mãe - vivida por Catherine Keener (“Sinédoque, Nova York”). Mas quando ela não dá atenção exclusiva ao garoto, ele se irrita ainda mais.

Um dia, depois de uma briga, ele a morde e foge de casa. Tal qual a Dorothy que vai para a Terra de Oz, em “O Mágico de Oz”, Max “viaja” para uma ilha habitada pelos mais diversos tipos de monstros.

Ninguém espere uma atmosfera Disney aqui - nem no menino, nem nos monstros, que não são fofinhos ou engraçadinhos. Com o tempo, quando os conhecemos melhor, tornam-se adoráveis, por conta de suas personalidades, atos e gestos, ainda que excêntricos.

Em vez de utilizar computação gráfica para a composição das criaturas, Jonze optou pelo método “arcaico”, com bonecos gigantescos - o que acentua a veracidade e o encantamento do filme. É perceptível que o ator Max está contracenando com os monstros - e não com o vazio, no qual posteriormente seriam adicionadas as criaturas, se fossem digitais.

Não demora muito e os monstros aceitam Max como seu rei, dando início à farra. É muita diversão, muita brincadeira. Mas, como tudo na vida, chega uma hora em que surgem impasses dos mais variados tipos, decorrentes das diversas personalidades de seus novos amigos. Carol (dublado por James Gandolfini, o Tony Soprano) é uma espécie de líder e talvez o mais parecido com o próprio Max.

No fundo, todos os monstros são as variadas facetas da personalidade do garoto - e de todo mundo - com as quais ele precisa aprender a lidar, e até mesmo domar. Eles são amigos, sim, mas, ao mesmo tempo, podem se transformar em inimigos, quando suas características negativas se exaltam.

É preciso que o garoto encontre a harmonia entre essas criaturas para que esteja bem consigo mesmo. Apesar disso, jamais se recorre a explicações psicológicas para qualquer coisa. Acompanha-se tudo pelos olhos de Max.

Jonze conta essa jornada existencial com profundidade e belas imagens, assinadas pelo diretor de fotografia Lance Acord (“Maria Antonieta”, “Encontros e Desencontros”), que valorizam não apenas a luz natural com também a câmera na mão, que confere leveza ao filme. Tal qual Wes Anderson e seu “O Fantástico Sr. Raposo”, o diretor reinventa uma história infantil já clássica e a transforma em algo novo, sem deixar de lado o espírito original da obra.

A energia de Max, assim como sua sagacidade e criatividade, aliada à de seu novos amigos, trazem a tônica para o filme, tão divertido quanto brincadeira de criança. Seus temas e personagens têm apelo não apenas para o público mirim, mas também para o adulto. Ambos podem apreciar o filme, não necessariamente pelas mesmas razões. Ou talvez, sim.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas no texto são responsabilidade do Cineweb

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