19 de Janeiro de 2010 / às 17:47 / 8 anos atrás

Cartas de Van Gogh lançam luz sobre trabalho árduo do artista

<p>Um visitante observa as obras "O carteiro Joseph Roulin" (dir.) e "Can&ccedil;&atilde;o de ninar: Augustine Roulin balan&ccedil;ando um ber&ccedil;o" de Vincent Van Gogh durante inaugura&ccedil;&atilde;o da exposi&ccedil;&atilde;o "The Real Van Gogh: The Artist and his Letters" (O Van Gogh Real: o Artista e suas Cartas), na Academia Real de Londres. REUTERS/Luke MacGregor 19/01/1010</p>

LONDRES (Reuters Life!) - Uma exposição na Academia Real de Londres busca aprofundar nosso entendimento do mestre pós-impressionista Vincent Van Gogh ao exibir não apenas suas pinturas e desenhos, mas muitas de suas cartas.

O pintor holandês escreveu centenas de cartas durante uma carreira produtiva como artista, a maioria delas a seu irmão Théo, um marchand que o apoiava.

“The Real Van Gogh: The Artist and his Letters” (O Van Gogh Real: o Artista e suas Cartas), que fica em exibição de 23 de janeiro até 18 de abril, segue um projeto de pesquisa de 15 anos sobre a correspondência de Van Gogh, feito pelo Museu Van Gogh e o Instituto Huygens da Academia Real de Artes e Ciências da Holanda.

Em exibição estão mais de 35 cartas originais, raramente mostradas ao público devido à fragilidade, mas que fornecem contexto para muitos dos 65 quadros pendurados junto a elas.

As cartas, que contêm o mundano --como sua descrição de um tipo particular de lápis-- e o poético --como quando descreve as águas do Mediterrâneo como “sempre em mudança”-- desafiam a noção de Van Gogh como um gênio torturado e errático.

“A visão popular dele é a de que ele era esse tipo de artista louco e estouvado, que apenas pintava muito rápido e de forma muito espontânea”, disse a curadora Ann Dumas.

“Ele realmente pintava muito rápido. Mas havia muita reflexão e preparação em seu trabalho, mesmo antes de ele colocar a tinta na tela”, disse ela à Reuters.

Embora ele tenha cortado parte da orelha, tenha se internado em um asilo e terminado a vida aos 37 anos, Van Gogh era dedicado à sua arte e estava preparado para trabalhar duro para ser mestre nas técnicas de perspectiva, cor e pintura da forma humana.

“Por mais que eu ame a paisagem, amo ainda mais as figuras”, ele escreveu. “Mas essa é a parte mais dura”.

Mesmo no fim de sua vida, suas cartas revelam um homem aparentemente mais preocupado com sua arte do que com seus demônios mentais pessoais.

Dias antes de sua morte, ele escreveu a Théo: “Estou me dedicando a meus quadros com toda a minha atenção”.

Nos seus últimos 70 dias de vida, segundo a Academia Real, o artista pintou mais de 70 telas, muitas delas estão entre suas obras-primas. E isso apesar do temor de que sua arte não estivesse progredindo como ele desejava.

Reportagem de Mike Collett-White

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