21 de Janeiro de 2010 / às 13:15 / em 8 anos

França entra na corrida pela digitalização de livros

<p>Foto mostra uma edi&ccedil;&atilde;o do s&eacute;culo XVI das previs&otilde;es de Nostradamus, primeiro livro digitalizado pelo Google, na Biblioteca Municipal de Lyon. A empresa europeia Safig est&aacute; agora digitalizando livros com funcion&aacute;rios e sistemas automatizados para criar uma biblioteca online. REUTERS/Robert Pratta/Files 21/01/2010</p>

Por Sophie Hardach

LA CHATRE, França (Reuters) - Em meio às amplas campinas na área central da França, uma equipe de especialistas em informática está preparando a herança literária da Europa para a era digital.

Em termos menos glamurosos, isso significa que na prática eles ganham a vida virando páginas.

A empresa para a qual trabalham, a Safig, é uma das poucas na Europa a digitalizar livros, usando funcionários e sistemas automatizados para virar as páginas.

Isso dá a ela uma posição privilegiada frente ao plano francês para criar uma imensa biblioteca online e negociar um acordo sobre livros digitais com o gigante norte-americano da Internet Google.

“Vivemos um período delicado em termos políticos”, disse Christophe Danna, o líder do projeto, em referência ao processo.

“Qualquer que venha a ser o resultado, ele determinará o futuro do mercado de livros”, disse ele à Reuters, diante de um cenário formado por scanners que zuniam discretamente e braços robotizados que viravam páginas.

Os fãs do projeto francês de 750 milhões de euros (um bilhão de dólares) para digitalizar o acervo das bibliotecas e museus o encaram como um misto de orgulho cultural e estratégia industrial -- Bruno Racine, presidente da Bibliothèque Nationale de France, por exemplo, também é consultor estratégico da aliança militar Otan.

Os céticos apontam que os 10 milhões de livros digitalizados pelo Google ofuscam os esforços franceses realizados até o momento, como o contrato trienal da Safig para digitalizar 300 mil livros para a Bibliothèque Nationale.

Um possível desfecho seria um acordo com o Google que aceleraria a digitalização em massa de volumes.

“É mais ou menos como uma fábrica. Não fazemos carros, mas existe um forte paralelo”, disse Danna. A Safig recebe por página, quer o livro seja um clássico literário ousado ou o código belga de leis sindicais -- um dos volumes amarelados que aguardava digitalização no local.

Alguns analistas veem um segundo paralelo: como na indústria automobilística, a França vem sendo acusada de protecionismo com empresas estrangeiras do setor, ao reordenar um mercado editorial que movimenta quatro bilhões de euros ao ano.

Editing by Georgina Prodhan and Sara Ledwith

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