França entra na corrida pela digitalização de livros

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 11:11 BRST
 

Por Sophie Hardach

LA CHATRE, França (Reuters) - Em meio às amplas campinas na área central da França, uma equipe de especialistas em informática está preparando a herança literária da Europa para a era digital.

Em termos menos glamurosos, isso significa que na prática eles ganham a vida virando páginas.

A empresa para a qual trabalham, a Safig, é uma das poucas na Europa a digitalizar livros, usando funcionários e sistemas automatizados para virar as páginas.

Isso dá a ela uma posição privilegiada frente ao plano francês para criar uma imensa biblioteca online e negociar um acordo sobre livros digitais com o gigante norte-americano da Internet Google.

"Vivemos um período delicado em termos políticos", disse Christophe Danna, o líder do projeto, em referência ao processo.

"Qualquer que venha a ser o resultado, ele determinará o futuro do mercado de livros", disse ele à Reuters, diante de um cenário formado por scanners que zuniam discretamente e braços robotizados que viravam páginas.

Os fãs do projeto francês de 750 milhões de euros (um bilhão de dólares) para digitalizar o acervo das bibliotecas e museus o encaram como um misto de orgulho cultural e estratégia industrial -- Bruno Racine, presidente da Bibliothèque Nationale de France, por exemplo, também é consultor estratégico da aliança militar Otan.

Os céticos apontam que os 10 milhões de livros digitalizados pelo Google ofuscam os esforços franceses realizados até o momento, como o contrato trienal da Safig para digitalizar 300 mil livros para a Bibliothèque Nationale.   Continuação...

 
<p>Foto mostra uma edi&ccedil;&atilde;o do s&eacute;culo XVI das previs&otilde;es de Nostradamus, primeiro livro digitalizado pelo Google, na Biblioteca Municipal de Lyon. A empresa europeia Safig est&aacute; agora digitalizando livros com funcion&aacute;rios e sistemas automatizados para criar uma biblioteca online. REUTERS/Robert Pratta/Files 21/01/2010</p>