Harrison Ford não consegue salvar "Medidas Extraordinárias"

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010 14:14 BRST
 

Por Stephen Farber

LOS ANGELES (Hollywood Reporter) - O filme "Medidas Extraordinárias", drama médico sobre um pai que tenta salvar seus filhos, funciona em um nível pouco sutil - seria preciso ter um coração de pedra para não se comover com a história de criancinhas adoráveis correndo perigo de morte. Mas em nenhum momento o filme consegue escapar das fórmulas batidas.

Um título na abertura informa o espectador de que "Medidas Extraordinárias" é "inspirado em uma história verídica". De fato, John Crowley (Brendan Fraser) foi uma pessoa real que lutou para encontrar tratamento para a doença de Pompe, um transtorno genético raro relacionado à distrofia muscular.

Mas o médico representado por Harrison Ford é um personagem composto, o tempo em que os fatos transcorrem foi drasticamente comprimido e a empresa farmacêutica que desenvolve a enzima salvadora é um conglomerado fictício. Essas elisões são compreensíveis, mas roubam o filme do impacto que um registro mais realista talvez tivesse.

Os produtores Michael e Carla Santos Shamberg e Stacey Sher já fizeram sucesso com outras histórias baseadas em fatos reais, incluindo "As Torres Gêmeas" e "Escritores da Liberdade", mas a melhor de suas produções, "Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento" foi a que se ateve mais estreitamente à realidade.

Quando Megan (representada com eficácia por Meredith Droeger), filha de John, quase morre de infecção respiratória, John procura o recluso cientista Robert Stonehill (Ford), e este concorda em se unir a ele na busca por uma cura.

O melhor do filme é a performance estelar de Ford como o ranzinza Stonehill. Embora o conceito de gênio excêntrico não seja exatamente inovador, Ford representa o papel com minimalismo magistral.

Com relação a Fraser, não é possível dizer o mesmo. Embora Stonehill descreva Crowley como "implacável", Fraser não nos deixa ver esse lado do personagem; em vez disso, se mostra nobre e de bom coração. Keri Russell está simpática no papel de esposa de Crowley, mas seu papel é padronizado.

O diretor britânico Tom Vaughn fez um primeiro longa promissor alguns anos atrás, o drama universitário "Starter for Ten", e não deixa as cenas familiares ficarem insuportavelmente sentimentais, mas tampouco infunde muita ousadia ao filme. O roteiro de Robert Nelson Jacobs ("Chocolate") não ignora por completo a orientação fundamental da grande indústria farmacêutica, mas parece demasiado insosso.

A fotografia é rotineira, e a trilha sonora melosa de Andrea Guerra ressalta a natureza convencional do roteiro. A primeira metade de "Medidas Extraordinárias" tem energia considerável, graças à habilidade da edição da veterana Anne V. Coates, mas o filme como um todo é prejudicado por um excesso de confrontos exagerados e epifanias previsíveis.

 
<p>Foto de arquivo do ator norte-americano Harrison Ford, em uma sess&atilde;o de fotos no 35o festival de cinema de Deauville, 12 de setembro de 2009. REUTERS/Pascal Rossignol</p>