Em Sundance, produtores independentes miram público da TV e Web

domingo, 24 de janeiro de 2010 12:30 BRST
 

. PARK CITY, EUA (Reuters) - Aqui está uma reviravolta digna de um filme de Hollywood. Para evitar a extinção dos filmes independentes, pode estar próximo o tempo em que algumas produções de baixo custo sejam exibidas do lado de fora dos cinemas, e não nas salas de exibição.

A ideia - de distribuição alternativa de filmes para assinantes de videos por TV a cabo (algo como um pay per view) ou sistemas de televisão por satélite e a internet - é o que alguns dos envolvidos com a produções independentes estão apoiando no maior evento do setor, realizado esta semana, o Festival de Cinema de Sundance.

O segmento de filmes de baixo custo, que produziu obras como o vencedor do Oscar "Quem quer ser um Milionário?", vem enfrentando momentos difíceis já que equipamento digital de baixo custo e um influxo de investidores estimularam uma enxurrada de filmes justo no começo de uma recessão.

Defensores de lançamentos para atender uma demanda já definida dizem que a distribuição alternativa aponta meios para produtores com pequeno orçamento lucrarem sem terem de competir pelo espaço limitado dos cinemas.

Para promover a ideia, o Festival de Sundance está lançando três filmes, incluindo o documentário de Michael Winterbottom, "The Shock Doctrine", que pode ser visto por usuários que pagarem, por meio de um novo programa chamado Seleção de Sundance. Cinco outros filmes estarão no YouTube.

"A beleza deste modelo (o pay per view) é que você remove da equação uma porção de entraves da distribuição", disse Jonathan Sehring, presidente da IFC Entertainment, que está trabalhando com o Sundance.

Tradicionalmente, um distribuidor paga uma taxa ao produtor para lançar o filme. Desembolsa muito menos do que custou a produção e lhe promete uma fatia dos lucros, que pode nunca ser paga se o filme for um fracasso de bilheteria.

Ao usar o sistema pay per view na TV ou downloads da Web, os filmes independentes podem definir mais claramente o público e evitar o gasto de milhões de dólares para divulgar um filme nos cinemas, dizem os defensores da ideia. Alguns cineastas gostam da proposta porque seus filmes serão vistos. Distribuidores esperam novos clientes, fora dos tradicionais espaços dedicados à arte nas grandes cidades.

"Achamos que não podemos sobreviver como empresa se não fizermos um esforço conjunto para compreender o mercado, compreender o público, compreender quais as diferentes oportunidades que estão lá", disse Christine Walker, dirigente da Werc Werk Works, cujo filme "HOWL" abriu o festival.   Continuação...