ESTREIA-"Zumbilândia" combina mortos-vivos, sangue e piadas

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010 16:03 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Zumbis podem ser um instrumento útil nas mãos de roteiristas. A natureza das criaturas encaixa-se muito bem em qualquer tipo de metáfora, desde a política - como no caso dos filmes do pioneiro George A. Romero ("A Noite dos Mortos-Vivos") - até as sentimentais e emocionais, como em "Zumbilândia", que estreia em circuito nacional.

Dirigida por Ruben Fleischer, a comédia se passa nos Estados Unidos devastados por uma praga que transforma as pessoas em canibais.

Tudo começou com um sanduíche contaminado, mas isso não importa muito em "Zumbilândia". Afinal, os personagens não estão em busca das causas, nem da cura, mas da sobrevivência. Assim, tentando salvar-se de serem devoradas, quatro pessoas reencontram sua humanidade perdida.

Os zumbis funcionam em dois planos nessa história. Primeiro, na forma real, devoram os outros e, portanto, uma ameaça para quem não está contaminado. No plano metafórico, a perda da humanidade desses monstros representa a desumanização que poderia assolar o mundo.

Em meio ao caos, um rapaz que ainda não foi mordido, portanto, não contaminado, tenta atravessar o país para encontrar seus pais, com quem nunca teve um relacionamento mais próximo. Mesmo assim, espera encontrá-los a salvo. Ele é interpretado por Jesse Eisenberg ("A Lula e a Baleia"). No meio do caminho, encontra um outro sujeito destemido, mas meio maluco, que ainda está saudável também, vivido por Woody Harrelson ("Onde os fracos não têm vez").

Ele acaba dando carona para o garoto, mas o alerta que não devem dizer seus nomes, pois não devem criar laços emocionais - será mais fácil se precisarem executar um ao outro em caso de contaminação. Assim, tratam-se apenas pelo nome do lugar para onde vão, Columbus e Tallahassee, respectivamente.

Além de fugir dos zumbis, Tallahassee tem outro objetivo: encontrar um pacote de bolinhos recheados de que tanto gosta. Ele precisa realizar este desejo logo, pois sabe que a data de validade dos últimos exemplares está próxima do vencimento e, se for perdida esta oportunidade, nunca mais poderá provar a iguaria. Eis aí outra metáfora, num filme que num primeiro momento parece tão banal, quanto a vida dos zumbis que explodem com os tiros de Tallahassee e Columbus.

A história, afinal, procura dizer algo mais. Os bolinhos representam os pequenos prazeres da vida.

Não está fácil encontrar o tal doce. Num supermercado onde fazem uma parada, os dois herois encontram duas irmãs, que também ganham codinomes, Witchita (Emma Stone, de "Minhas adoráveis ex-namoradas") e Little Rock (Abigail Breslin, de "Pequena Miss Sunshine"). Depois de muitos mal-entendidos, encontros e desencontros, os rapazes descobrem que as duas garotas também tem seus "bolinhos" para encontrar. A caçula quer visitar um parque de diversões do outro lado do país.   Continuação...