ESTREIA-"Tyson" radiografa ascensão e queda de boxeador

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010 16:06 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Diretor de ficção conhecido por filmes como "Preto e Branco", embora sem nenhum grande sucesso em seu currículo, o norte-americano James Toback tem o grande momento de sua carreira em seu primeiro documentário, "Tyson", que estreia apenas em São Paulo nesta sexta-feira.

Realizado em 2008, o filme recebeu o prêmio "Coup de Coeur" da mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes naquele ano. E com razão. O documentário é um dos mais completos perfis do boxeador Mike Tyson, que conhece Toback há vários anos.

Por conta dessa proximidade, o lutador revela-se diante da câmera com uma franqueza raras vezes vista. Dispõe-se a falar mesmo dos momentos mais tristes e embaraçosos de sua vida sem qualquer censura.

Fazendo bom uso de numerosas cenas de arquivo, o filme detalha a vertiginosa trajetória do menino pobre, nascido em Brownsville, no Brooklyn, em 1966, numa família pobre, dividida e instável. Ladrão e delinquente na juventude, tudo indicava que Tyson não sairia da vida do crime. Salvou-o o talento com os punhos, identificado por Cus D'Amato - que, além de ser seu primeiro treinador, transformou-se numa figura paterna, levando-o para viver em sua própria casa, com sua mulher e filhos.

Venerado por Tyson até hoje, D'Amato não viveu, porém, para ver a glória do pupilo, que se tornaria o mais jovem campeão dos pesos-pesados ao vencer Trevor Berbick em 1986 - um ano depois da morte do treinador.

Lutador agressivo, que extravasava sua fúria interior nocauteando os adversários, Tyson nunca resolveu seus problemas emocionais. Essa fragilidade, aliada à associação com empresários gananciosos - como o famoso Don King - terminaram por brecar o sucesso do boxeador.

É com bastante sinceridade que ele mesmo examina os piores momentos de sua vida, como o casamento fracassado com a atriz e modelo Robin Givens; sua prisão depois de condenado por um estupro, em 1993; e o incidente da mordida na orelha de Evander Holyfield, em 1997, que lhe custou uma suspensão do esporte.

Num claro exercício de autocrítica, o lutador deixa claro que não culpa ninguém por seus desastres, nem pelo declínio em sua carreira, a não ser ele mesmo.

Seus depoimentos, que intercalam as imagens de arquivo, são tão fascinantes que mesmo quem não tem o menor interesse por boxe pode sentir-se atraído pela verdade humana que o filme registra.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb