ESTREIA-Nem formato 3D salva "Premonição 4" da mesmice

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010 12:59 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Dona Morte não consegue mesmo descansar em paz. Foi, mais uma vez, retirada do seu repouso e recrutada por produtores de Hollywood para a quarta parte da franquia "Premonição", que estreia na sexta-feira no Brasil em 3D (apenas na versão dublada), e em cópias convencionais (dubladas e legendadas).

Nesse, que é o filme mais dispensável da série, a Morte continua sua incansável tarefa de perseguir e executar um a um os personagens que conseguiram escapar de um acidente no filme original.

Desde o primeiro "Premonição" (2000), a ordem dos fatores é sempre a mesma - a mesma sinopse é válida para qualquer um dos filmes. Um acidente horrendo acontece - de avião, na estrada, na montanha-russa e, agora, numa corrida de carros.

Uma pessoa aparentemente normal (bem, nem tanto) tem uma visão do que vai ocorrer e salva meia dúzia de outras. Elas passam a ser perseguidas por forças do além e morrem das formas mais bizarras.

"Premonição 4" segue à risca todas as instruções do manual da série. Aliás, segue tão rigidamente que o filme é o mais chato de todos. Nem os efeitos em 3D valem o preço do ingresso. Tudo é tão previsível e banal que raramente um filme de suspense consegue ser tão soporífero quanto este.

David R. Ellis, que dirigiu o péssimo "Premonição 2" (2003) e o risível "Serpentes a Bordo" (2006), realiza um trabalho mecânico e sem qualquer inspiração, a partir de um roteiro escrito por Eric Bress ("Efeito Borboleta") e Jeffrey Reddick (responsável pelo roteiro de todos os filmes da série). Este roteiro, aliás, poderia muito bem ter saído de um programa de computador, tamanha a falta de originalidade.

O primeiro "Premonição" tinha adrenalina, criatividade e surpresas. A premissa é ótima e o acidente impressionante, assim como as mortes ao longo do filme.

Nesses dez anos, personagens descartáveis morreram das formas mais inusitadas possíveis. Tudo podia começar com uma gota de líquido que acidentalmente caía dentro do monitor do computador ou numa câmara de bronzeamento artificial. O mais interessante é que não existe um vilão, um assassino à solta. De certa forma, é o próprio destino que dá fim nos personagens.

Em "Premonição 4", os roteiristas estão sem idéias, tão sem criatividade que precisam pegar sugestões emprestadas. Uma das mortes é um claro plágio de um conto de Chuck Palahniuk (autor de "Clube da Luta") chamado "Tripas", publicado na coletânea "Assombro". Um texto que ganhou a fama de ter feito muita gente passar mal quando o autor fez leituras públicas para promover o livro.   Continuação...