ESTREIA-"Guerra ao Terror" pode dar primeiro Oscar a diretora

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010 15:36 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Primeira mulher a vencer o prêmio do Sindicato dos Diretores da América, Kathryn Bigelow pode tornar-se a primeira diretora a vencer um Oscar nessa categoria por "Guerra ao Terror". O filme, aliás, tem chances de vencer em várias outras modalidades, já que é um dos campeões em indicações deste ano, com nove, mesmo número de "Avatar", de James Cameron.

Depois de uma recepção discreta no Festival de Veneza 2008, na qual teve sua première mundial, "Guerra ao Terror" foi descoberto por várias associações de críticos norte-americanos, como os de Nova York, San Francisco e Los Angeles, que lhe deram seus principais prêmios em 2009. O Sindicato dos Diretores e também o Sindicato dos Produtores da América seguiram a mesma trilha, que preparou esta chegada promissora ao Oscar - cujos prêmios serão entregues no próximo dia 7 de março.

"Guerra ao Terror" concorre a melhor filme, direção, roteiro original, ator (Jeremy Renner), fotografia, montagem, som, mixagem de som e trilha original.

Conhecida como uma cineasta de filmografia com temática mais associada ao mundo masculino - como "K-19 - The Widowmaker" (2002), "Estranhos Prazeres" (95) e "Caçadores de Emoção" (91) -, Kathryn Bigelow segue a mesma linha neste novo filme, um drama de guerra ambientado no Iraque. Os protagonistas são três soldados de um esquadrão especializado no desmonte de bombas, William James (Jeremy Renner, de "Extermínio 2"), JT Sanborn (Anthony Mackie, de "Menina de Ouro") e Owen Eldridge (Brian Geraghty, de "Um Crime Americano").

O ponto de vista da história é o destes soldados, que vivem diariamente o inferno da guerra. Mas, enquanto dois deles, Sanborn e Eldridge, contam os dias para sair dali, o comandante do batalhão, o sargento James, está viciado na adrenalina de sua missão, a ponto de correr riscos desnecessários e expor seus companheiros. O ponto de vista iraquiano na guerra claramente inexiste. Os habitantes locais passam na tela como meros figurantes.

"Guerra ao Terror" não procura fazer uma autocrítica do comportamento do Exército norte-americano no país que ocupa há quase 7 anos, alegando a existência de armas de destruição de massa que nunca foram encontradas.

O filme de Bigelow simpatiza com o problema humano dos soldados dos EUA. Enfoca a guerra como uma insanidade histérica e cega e mostra piedade também por algumas vítimas iraquianas e até pelos maltratados gatos de rua de Bagdá.

Tendo filmado em locações em Amã (Jordânia) e no Kweit, com a preciosa colaboração do diretor de fotografia Barry Ackroyd (de "Voo United 93", indicado ao Oscar), a diretora visivelmente procurou realismo neste retrato do alucinante cotidiano destes soldados, que a cada dia acordam para o que pode ser também o seu último, num ambiente hostil em que eles estão tremendamente expostos.

Não se pode acusar o filme de patriótico, porque ele é visivelmente crítico desse estado de coisas, mesmo sem questionar a fundo as razões desta guerra específica.   Continuação...

 
<p>Atores Jeremy Renner, Brian Geraghty, a directora Kathryn Bigelow o ator Antony Mackie comparecem ao Festival de Cinema de Veneza. O filme "Guerra ao Terror" estreia nesta sexta-feira em circuito nacional. (Foto Arquivo) REUTERS/Max Rossi 04/09/2008</p>