ESTREIA-Indicado a Oscar, "A Fita Branca" revê raízes do nazismo

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010 12:39 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Com o drama "A Fita Branca", o diretor Michael Haneke ("Caché", "Violência Gratuita") conquistou a Palma de Ouro em Cannes 2009 e duas indicações para o Oscar 2010 - filme estrangeiro e fotografia, aliás, um excelente trabalho em preto-e-branco do renomado Christian Berger.

Parceiro habitual do cineasta, Berger visitou São Paulo no final do ano passado, ministrando um workshop durante a Mostra Internacional de Cinema. O filme entra em circuito nacional.

A história, de autoria do próprio Haneke, ambienta-se numa pequena aldeia alemã, no princípio do século 20, pouco antes do estouro da 1a Guerra Mundial. A placidez do lugar na verdade, não passa de aparência. Este pequeno mundo isolado, que parece viver segundo uma série de regras morais e religiosas, está corrompido no seus sentimentos e valores mais profundos.

Os primeiros sinais são claros. O médico local (Rainer Bock) sofre uma grave queda do cavalo depois que alguém esticou um fino fio metálico entre duas árvores, no seu caminho para casa. Gravemente ferido, ele corre risco de morte, ficando seus filhos aos cuidados da parteira local (Susanne Lothar).

O incidente, que parece isolado, multiplica-se em outros - como a morte aparentemente acidental de uma lavradora a serviço do barão (Ulrich Tukur, de "Amém"), o mais poderoso proprietário rural da região, de quem praticamente todos os camponeses dependem para trabalhar.

O filho da lavradora reage, acreditando que o barão é culpado pela morte da mãe, destruindo sua larga plantação de repolhos. Logo mais, mesmo crianças, como Sigi (Fion Mutert), filho do barão, e Karli (Eddie Grahl), o filho da parteira, que sofre de síndrome de Down, são vítimas de violências.

Um conjunto de episódios que choca a comunidade, muito rígida e estruturada na moral protestante, sob a liderança de um pastor (Burghart Klausner, de "O Leitor").

O único a destoar do padrão de comportamento local é o jovem professor primário (Christian Friedel), que veio de uma aldeia perto dali. Espécie de voz sutil da razão, ele é também o único a estranhar a liderança exercida por Klara (Maria-Victoria Dragus), filha mais velha do pastor, sobre as demais crianças do lugar.

Não é difícil perceber o quanto essas crianças são oprimidas por uma educação severa e cruel, que as submete a dolorosos castigos físicos, obrigando-as a um respeito absoluto pela hierarquia, que não lhes permite qualquer opinião ou comentário sobre coisa alguma. O machismo dominante exerce um peso ainda maior sobre meninas e mulheres.   Continuação...

 
<p>O diretor Michael Haneke (esq.) e o ator Ulrich Tukur do filme "A Fita Branca", que estreia nesta semana em circuito nacional, participam do 62o. Festival de Cinema de Cannes. 21/05/2009 REUTERS/Jean-Paul Pelissier</p>