ESTREIA-Beto Brant explora limites da intimidade em "O Amor"

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010 13:05 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Primeiro trabalho para a televisão do cineasta paulista Beto Brant ("O Invasor"), "O Amor Segundo B. Schianberg" foi exibido em julho de 2009 como uma minissérie de quatro capítulos na TV Cultura. Agora, ganha uma versão para o cinema, de 80 minutos, que entra em cartaz nesta sexta em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Na próxima semana, o filme será lançado também em Fortaleza, Salvador, Porto Alegre, Santos e Juiz de Fora.

Benjamin Schianberg, um personagem secundário do romance "Eu Ouviria as Piores Notícias de seus Lindos Lábios", de Marçal Aquino, parceiro habitual nos roteiros de Brant, deu uma pista para a criação desta história, que tem seu nome no título.

No livro, Schianberg era um psicanalista e professor interessado na observação das relações humanas. Na minissérie, pode-se ouvir apenas sua voz, que pertence ao artista plástico mexicano Felipe Ehrenberg (que fez parte do elenco de "Crime Delicado").

A ação passa-se praticamente toda dentro de um apartamento na região central de São Paulo. Nele mora a artista plástica Gala (Marina Previato), que recebe as visitas do ator Félix (Gustavo Machado, de "Quanto Dura o Amor?"). Os dois estão se envolvendo, se apaixonando.

A história resume-se a acompanhar o surgimento deste relacionamento. Há uma construção da intimidade em curso, que nasce não só a partir da aproximação física, como também das conversas entre Gala e Félix. Os dois manifestam uma aguda curiosidade pelo trabalho um do outro. Gala quer saber quais os limites da encenação. É particularmente reveladora, e também engraçada, a sequência em que ele procura mostrar-lhe qual a diferença entre um "beijo técnico", de teatro, e um beijo "de verdade".

No fundo, encenação e realidade são as grandes questões de "O Amor segundo B. Schianberg". Em diversas entrevistas, Beto Brant contou ter procurado expor os limites da construção das realidades encenadas, como as que se veem nos populares reality shows.

A própria minissérie foi construída como se fosse um deles, com o apartamento que serviu de cenário, no bairro do Cambuci, sendo alugado pela produção e nele instaladas oito câmeras. Num apartamento ao lado, o diretor acompanhava as filmagens, interferindo minimamente no desenvolvimento natural da história do romance. Ele apenas mandava algumas instruções aos dois atores, através de e-mails, por exemplo.

O ponto de vista de Gala fica claro na sequência final, quando os espectadores descobrem também a obra que ela esteve construindo, ela que passou o tempo todo filmando com uma pequena câmera. É um fecho perfeito para um filme que tem uma natureza bem experimental, sem ser hermético.   Continuação...