February 15, 2010 / 3:55 AM / 7 years ago

Júlia chora mas levanta Sapucaí à frente da bateria da Viradouro

3 Min, DE LEITURA

<p>Rainha da bateria da Viradouro, J&uacute;lia Lira, de 7 anos, &eacute; carregada por seu pai antes do desfile da escola de samba no Rio de Janeiro.Bruno Domingos</p>

Por Hugo Bachega

RIO (Reuters) - Júlia Lira chorou, foi levada no colo pelo pai, mas se soltou ao pisar na Marquês de Sapucaí à frente da bateria da Viradouro na primeira noite de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro.

Assediada por dezenas de jornalistas e fotógrafos, a menina, de 7 anos, teve de ser amparada por seus pais antes do início do desfile, mas mostrou sorrisos e sintonia com o enredo da agremiação de Niterói, levantando o público das arquibancadas e camarotes.

Após o desfile, que terminou pouco antes das 3h de segunda-feira e teve como enredo "México, o paraíso das cores sob o signo do Sol", Júlia e sua mãe, Mônica, evitaram os repórteres na dispersão. No camarote da Viradouro, depois de enfrentar a Sapucaí, a menina disse estar cansada, mas que gostou da experiência.

Mônica atribuiu o choro da filha ao assédio da imprensa.

"Ela chorou porque todo mundo foi em cima", disse a mãe, que acompanhou Júlia durante todo o desfile. "Ela ficou meio apavorada... Até eu fiquei com medo".

Júlia tornou-se o centro de uma polêmica após ser nomeada rainha de bateria da Viradouro, presidida por seu pai, Marco Lira. O Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente chegou a ameaçar barrar a participação da menina no desfile, mas sua presença foi liberada pelo Juizado da Infância e Juventude.

Antes do desfile, Marco defendeu a participação da filha à frente da bateria.

"Não é uma coisa forçada ou imposta", disse ele a jornalistas. "Ela se identifica... Foi uma coisa bem espontânea".

Perguntado sobre as reações à nomeação de Júlia, o presidente da escola classificou algumas como "infelizes". E afirmou que as entende, mas mas não aceita.

"Eu desafio um pai e uma mãe a expor seu filho ou filha a uma relação que esteja ligada à pedofilia", afirmou, ao comentar as opiniões de que a participação da menina seria uma apologia à exploração sexual infantil.

"Daí eu te pergunto: minha filha não pode mais ir à praia de biquíni?"

A Viradouro foi a quarta escola a apresentar-se neste domingo no Rio de Janeiro, em noite que reuniu outras veteranas da Sapucaí no cobiçado posto de rainha de bateria, como Luíza Brunet e Adriane Galisteu.

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