Beija-Flor esbanja luxo com Brasília sem corrupção

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010 06:36 BRST
 

RIO (Reuters) - A Beija-Flor passou longe dos conhecidos escândalos de corrupção de Brasília e levou para a avenida um desfile luxuoso, tapado de plumas para contar a história dos 50 anos de capital federal.

A tradicional escola de Nilópolis, que se viu no centro de um furacão depois da prisão do governador licenciado José Roberto Arruda, dias antes do desfile, devido ao suposto envolvimento num esquema de pagamentos de propina, encerrou a primeira noite de desfiles na Marquês de Sapucaí aclamada por sua torcida.

Para apresentar o enredo "Brilhante ao sol do novo mundo, Brasília do sonho à realidade, capital da esperança", a Beija-Flor não poupou brilho e a experiência de quem já foi cinco vezes campeã nos últimos sete anos.

Escândalos políticos recorrentes no poder central deram uma trégua à Brasília que passou pelo sambódromo. Não houve um respingo nem do caso Arruda, cujo governo acertou um patrocínio de 3 milhões de reais para a agremiação.

Deixando de lado as polêmicas, um desfile colorido e cativante mostrou desde lendas indígenas da região e as belezas do Cerrado até a construção da cidade com obras de Oscar Niemyer e Lúcio Costa.

"A Brasília do nosso desfile é a Brasília cultural, não é a Brasília política. O que acontece lá em Brasília o povo todo sabe, mas Carnaval é alegria, aqui é outra coisa," disse a jornalistas o intérprete da escola, Neguinho da Beija-Flor, de volta à Sapucaí um ano após ter se casado antes do desfile da escola de 2009.

"Não temos que nos preocupar, o único político do nosso desfile é o Juscelino Kubitschek, e ele não colocou dinheiro na meia", acrescentou o músico, lembrando as imagens veiculadas na tevê mostrando um aliado de Arruda recebendo suposto dinheiro de propina e escondendo nas meias.

Antes do desfile, o carnavalesco Alexandre Lousada chegou a passar mal na concentração, alegando "cansaço e emoção". Lousada, que se recuperou a tempo para desfilar com a escola, reclamou da ligação feita pela mídia nos últimos dias entre a escola e o escândalo no governo do DF.

"Estou magoado sim. Queria fazer um protesto contra os jornalistas que têm falado isso de umas das escolas que mais contribuíram para o sucesso do Carnaval do Rio," desabafou.   Continuação...

 
<p>Carro-aleg&oacute;rico da Beija-Flor com escultura do ex-presidente Juscelino Kubitschek em desfile sobre os 50 anos de Bras&iacute;lia. 15/02/2010 REUTERS/Sergio Moraes</p>