16 de Fevereiro de 2010 / às 08:46 / 8 anos atrás

Bossa nova e funk da Mangueira conquistam público na Sapucaí

<p>Carro-aleg&oacute;rico da Mangueira sobre o funk com escultura de dan&ccedil;arina e mulheres dentro de uma gaiola. 16/02/2010Sergio Moraes</p>

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Mangueira, última escola a desfilar pelo Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, cantou os ritmos mais famosos da música brasileira e levantou a Marquês de Sapucaí, como poucas escolas conseguiram, ao deixar a avenida no início da manhã de terça-feira.

Com o enredo "Mangueira é música do Brasil", a verde-e-rosa contagiou a avenida com o refrão "chegou, a Mangueira chegou" e exaltou suas cores ao criar uma chuva de papel picado sobre as arquibancadas no início e no fim do desfile.

Para contar a história da música brasileira, a Estação Primeira abriu seu desfile com a bossa nova de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, homenageados com grandes esculturas em carros alegóricos.

A Jovem Guarda, o rock do RPM e dos Paralamas do Sucesso, o sertanejo e o baião foram outros ritmos apresentados na avenida, no enredo com o qual a escola espera melhorar a sexta posição do Carnaval passado e levar o título que não comemora desde 2002.

Conquistar a torcida mangueirense da Sapucaí foi a arma dos carnavalescos Jaime Cezário e Jorge Caribé, que apostaram num "super projeto", porém tradicional, para honrar a história da Mangueira.

"Emoção. Carnaval é alegria, é emoção, é sentimento", disse Cezário a jornalistas antes do desfile. "O enredo é emocionante. A Mangueira é uma grande emoção".

Um dos destaques da escola foi a passagem da bateria pela Sapucaí. Os ritmistas fantasiados de compositores censurados foram encarceirados por agentes do regime militar, representando o período em que muitos artistas sofreram com a tortura, prisão e exílio.

A mistura entre funk e samba no Carnaval, já vista na avenida com a presença de musas funkeiras em outras agremiações, fechou o enredo da escola. Com direito à paradinha da bateria, que imitou as batidas dos bailes funk dos morros cariocas, o último carro alegórico mostrou esculturas de dançarinas "popozudas" gigantes e seus bumbuns inclinados.

SAUDADES DE NOEL

A Vila Isabel, considerada uma das favoritas, lembrou os 100 anos do poeta Noel Rosa com um desfile "leve e alegre", como definiu o carnavalesco Alex de Souza, embalado pelo samba-enredo de Martinho da Vila, outra figura importante do bairro da zona norte carioca.

"Essa é a cara da escola", afirmou, satisfeito após o desfile.

A agremiação, que está atrás do seu terceiro título, lembrou a vida de Noel, que morreu com apenas 26 anos, e sucessos como "Com que Roupa" e "Fita Amarela".

Em um dos carros que pintaram a boemia do bairro e de Noel, um dos integrantes, representando o garçom de um bar, distribuía chope arrancando sorrisos do público.

"É muito difícil controlar minha emoção. Noel não foi só música, transcende, foi atitude também", disse Martinho, presidente de honra da escola e que não assinava um samba-enredo há 17 anos.

Vila e Mangueira, que deixou a avenida também como uma das favoritas ao título, encerraram os desfiles do Carnaval carioca, que terá sua campeã conhecida na Quarta-feira de Cinzas. Unidos da Tijuca e Beija-Flor, que se apresentaram na noite de domingo, e Grande Rio, mais cedo na segunda noite, também foram escolas bem recebidas pelo público.

As seis melhores voltam à Sapucaí para o desfile das campeãs no sábado.

Por Maria Pia Palermo, Pedro Fonseca e Hugo Bachega

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