ESTREIA-Indicado a 2 Oscar, "Homem Sério" satiriza homem comum

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 16:30 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Concorrendo a dois Oscar -- melhor filme e roteiro original --, "Um Homem Sério", novo trabalho dos irmãos Ethan e Joel Coen ("Onde os Fracos Não Têm Vez"), é um filme repleto de possibilidades de interpretação e difícil classificação de gênero.

Como sempre, os Coen produzem, escrevem o roteiro e dirigem juntos "Um Homem Sério", uma história em que o tom cômico anda de mãos dadas com a gravidade.

O protagonista é um professor de física, Lawrence Gopnick (Michael Stuhlbarg, de "Rede de Mentiras"), um verdadeiro protótipo do homem comum, do pai de família honesto e trabalhador do Meio-Oeste norte-americano dos anos 1960, a época da história.

Estabelecido este mundo direito, arrumado, em que se move o protagonista, um judeu devoto, paulatinamente se trabalha para colocar tudo em dúvida. O casamento de Lawrence com Judith (Sari Lennick), por exemplo, que ele acreditava tão sólido, está em pedaços. Ela quer o divórcio porque tem um caso com um viúvo, Sy Ableman (Fred Melamed). Os filhos do casal, Danny (Aaron Wolff) e Sarah (Jessica McManus), não parecem dar maior importância ao caso, nem a coisa nenhuma, aliás.

Em casa, Lawrence sofre ainda com o peso da presença do irmão, Arthur (Richard Kind), com graves problemas de saúde e adaptação. Fora isso, Arthur é viciado em jogo.

Habilmente, a história desenha uma série de conflitos éticos que põem em questão a integridade que Lawrence acha que tem. Um deles nasce de uma divergência com um aluno sul-coreano, Clive (David Kang).

Inconformado com a nota baixa que pode pôr a perder sua bolsa de estudos, Clive deixa uma alta soma em dinheiro na mesa do professor, depois de insistir que ele o submeta a uma nova prova. O professor fica abalado, porque precisa cada vez mais de um reforço de caixa, com o divórcio e os problemas do irmão.

Gopnick bem que procura o apoio da religião, sem muito sucesso. Ele busca conselhos junto aos rabinos da comunidade, mas eles pouco lhe oferecem fora de um senso comum bem banal.

Judeus eles próprios, os Coen traçam aqui uma impiedosa sátira ao judaísmo em diversas situações, com uma riqueza de detalhes que certamente tem raízes autobiográficas. Um exemplo é quando o garoto Danny participa de seu próprio "bar mitzvah" completamente chapado depois de fumar maconha.   Continuação...

 
<p>Os atores Peter Breitmayer (&agrave; esquerda) e Michael Stuhlbarg em uma cena do filme &ldquo;Homem S&eacute;rio&rdquo;, nessa foto sem data divulgada para a Reuters em 2 de fevereiro de 2010. Concorrendo a dois Oscar -- melhor filme e roteiro original --, o novo trabalho dos irm&atilde;os Ethan e Joel Coen ("Onde os Fracos N&atilde;o T&ecirc;m Vez"), &eacute; um filme repleto de possibilidades de interpreta&ccedil;&atilde;o e dif&iacute;cil classifica&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero. REUTERS/Wilson Webb/Focus Features/Divulga&ccedil;&atilde;o</p>