Retorno a Wall Street deixa Oliver Stone "chocado"

quarta-feira, 3 de março de 2010 11:23 BRT
 

LOS ANGELES (Reuters) - O cineasta Oliver Stone ficou chocado quando visitou novamente o mundo das altas finanças para criar a sequência de seu sucesso de 1987 "Wall Street - Poder e Cobiça" e descreveu o que está acontecendo ali como "o colapso do capitalismo".

"Por que eu retornei? Porque é importante. É o colapso do capitalismo e o colapso de nossa sociedade. É isso mesmo. Nosso modo de vida vai mudar", disse Stone em entrevista à revista "Vanity Fair."

"Fiquei verdadeiramente chocado quando retornei (a Wall Street)", disse o diretor premiado com o Oscar à revista, em entrevista para sua edição de abril.

"Um milhão de dólares se tornara 1 bilhão de dólares. Eles tinham substituído pessoas de conteúdo por pessoas que fazem dinheiro. Os Volcker tinham se tornado os Greenspan da vida", disse Stone.

Mas o diretor disse que seu primeiro objetivo, como sempre, foi contar uma história que garanta entretenimento. "E contar uma história sobre manipulações financeiras em Wall Street é uma das coisas mais difíceis que existem."

"Wall Street 2", no qual Michael Douglas retorna no papel de Gordon Gekko, corretor de ações que caiu em desgraça por manipular informações privilegiadas sobre o mercado de ações, estreia nos Estados Unidos em 23 de abril e no Brasil em 21 de maio.

Recém-saído da prisão, Gekko quer voltar a atuar na Bolsa. A história acontece em um momento em que a economia global está tropeçando na beira de um desastre.

O astro de "Transformers" Shia LaBeouf, 23 anos, faz o papel de analista de empresas de energia alternativa em duas firmas de Wall Street -- uma delas inspirada no banco de investimentos Goldman Sachs e outra em sua rival falida Bear Stearns.

Oliver Stone contou que seu falecido pai, que trabalhava para uma corretora de ações, o incentivou anos atrás a trabalhar em Wall Street.

"Mas eu era péssimo em matemática", disse Stone, acrescentando: "Tentei muito entender o que aconteceu com a Enron. Li três livros. Não entendi nada."

(Reportagem de Jill Serjeant)