Mulheres jovens sofrem com "fadiga de gênero" e discriminação

segunda-feira, 8 de março de 2010 14:22 BRT
 

Por Jade Merriman

LONDRES (Reuters) - As mulheres na chefia já não são algo estranho no mundo corporativo, onde as principais empresas consideram um "dever" aplicar programas que garantam a igualdade de gênero e a diversidade.

A incorporação de horários flexíveis de trabalho, licenças-maternidade e redes de mulheres virou norma em muitos setores.

Mas a diversidade de gênero no mundo dos grandes negócios gera a ilusão de que os problemas estão "resolvidos", o que torna mais difícil detectar a discriminação sutil e até pode afetar as mulheres jovens em início de carreira.

"As mais jovens têm problemas para se conectar com as redes de mulheres no local de trabalho porque as consideram algo pertencente à geração de suas mães", disse Elisabeth Kelan, professora do Departamento de Trabalho e Organizações do Kings College, em Londres.

Kelan descreve essa situação como "fadiga de gênero", que implica que as pessoas no local de trabalho não têm energia para lidar com algo que já não veem como um problema.

A pesquisa que realizou para escrever o livro "Performing Gender at Work" concluiu que as mulheres jovens não estavam comprometidas com as redes femininas porque muitas as consideravam meros "clubes para se queixar".

"Isto faz com que estejam privadas de dar sua opinião e que não tenham espaço onde debater os problemas de gênero que sofrem no trabalho", acrescentou.

As empresas fizeram grandes esforços para combater a discriminação de gênero mediante a nomeação de funcionários dedicados ao tema da diversidade e a criação de programas que elevaram a igualdade entre os sexos.   Continuação...