Crise deixa trabalhadores mais leais a empresas, diz pesquisa

terça-feira, 9 de março de 2010 09:06 BRT
 

CINGAPURA, 9 de março (Reuters Life!) - A crise global certamente detonou o balanço das companhias, mas fez com que mais de 40 por cento dos empregados se sentissem mais comprometidos com seus patrões, segundo uma pesquisa realizada pela empresa internacional de recrutamento Kelly Services na Europa, América do Norte e Ásia/Pacífico.

O estudo concluiu ainda que as empresas com gestão positiva, moral elevado e comunicações ativas conseguem deixar sua força de trabalho mais engajada apesar das incertezas provocadas pela redução nos lucros e pelas demissões.

Os entrevistados citaram um "trabalho mais interessante ou desafiador" como sendo a principal razão que os torna mais envolvidos com o trabalho -- acima até mesmo de aumentos salariais e mais benefícios.

"Muitas organizações passam por um período extremamente difícil, mas algumas geriram os desafios de forma positiva e emergiram com um novo nível de confiança dentro da força de trabalho", disse George Corona, executivo-chefe da Kelly Services, em nota.

O Índice Global Kelly da Força de Trabalho reúne entrevistas feitas entre outubro e janeiro com 134 mil pessoas em 29 países. A pesquisa concluiu que 43 por cento se sentem "totalmente comprometidos" com seus atuais empregos, e que 26 por cento se sentem "algo comprometidos".

Um total de 27 por cento dos entrevistados em nível global disse que a recessão econômica aumentou seu grau de lealdade ao patrão, enquanto 10 por cento se sentem agora menos leais, e 63 por cento acham que não houve mudanças.

Há uma ligeira tendência da "Geração Y" (de 18 a 29 anos) a se dizer mais leal por causa da crise do que a "Geração X" -- 28 a 26 por cento.

A pesquisa mostra também que os empregados mais "engajados" estão na América do Norte, onde 52 por cento se dizem totalmente comprometidos com seu emprego. A cifra cai para 47 por cento na Ásia e 36 por cento na Europa.

Sobre a perspectiva de permanecer no emprego ou mudar de ocupação, os mais jovens demonstram interesse muito maior em crescer dentro da carreira, enquanto os mais velhos valorizam mais a qualidade da gestão, segundo a pesquisa.

O estudo mostrou ainda que todas as gerações estão atentas a como as organizações gerenciam sua reputação corporativa, fator importante para que o empregado decida se fica ou se procura outro trabalho.

"Atrair empregados e mantê-los produtivamente engajados está constantemente entre as tarefas mais desafiadoras para os empregadores", disse Corona. "Uma estratégia multigeracional é vital para atrair não só os melhores talentos, mas também para promover um clima que estimule a criatividade e o aprendizado para todos os trabalhadores."