ESTREIA-Scorsese cria suspense com toque político em novo filme

quinta-feira, 11 de março de 2010 11:48 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Martin Scorsese entra no centro da paranóia em "Ilha do Medo", suspense ambientando nos anos 50 e estrelado por Leonardo DiCaprio que teve sua première mundial no Festival de Berlim, em fevereiro.

Como em "O Iluminado"(1980), o famoso filme de Stanley Kubrick, há um protagonista num local isolado. E os acontecimentos a cada momento fogem ao seu controle, percebendo-se uma espiral crescente de loucura. E a plateia é convidada a uma viagem ao inferno. No que se pode acreditar?

No caso, o protagonista é Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio, "Foi Apenas Um Sonho"), um agente do FBI que, junto com o parceiro Chuck Aule (Mark Ruffalo, "Onde Vivem os Monstros"), é chamado para uma investigação no manicômio judiciário de Ashecliffe. Um local completamente isolado na rochosa ilha de Shutter, nas proximidades de Boston. Ali, só se entra e sai por meio de uma balsa, sendo o acesso severamente vigiado por guarda armados de fuzis.

Teddy e Chuck estão ali para investigar o desaparecimento misterioso de uma interna, Rachel Solando (Emily Mortimer, "Cinturão Vermelho"), que, anos atrás, teria matado seus três filhos, afogando-os. Ela conseguiu sair de uma cela trancada, sem sapatos, enfrentando o chão pedregoso e um clima constantemente chuvoso e frio. Difícil imaginar como. Difícil esperar que possa estar viva.

Os psiquiatras atuantes no hospital, o dr. Cawley (Ben Kingsley, "Oliver Twist") e o dr. Naehring (Max von Sydow, "O Escafandro e a Borboleta"), são reticentes e não permitem o livre deslocamento dos agentes. Ao mesmo tempo, Teddy sente-se cada vez mais perturbado e indisposto. Ele carrega consigo o peso de um passado doloroso, em que se misturam experiências traumáticas de guerra - em que ele participou da liberação do campo de concentração de Dachau (Alemanha) - e a morte trágica da mulher, Dolores (Michelle Williams, "Sinédoque - Nova York") num incêndio.

A noite de Teddy é povoada de pesadelos, em que vê os fantasmas da mulher e também das crianças da prisioneira sumida, misturando tudo numa espiral de angústia que está minando sua energia. Ao seu lado, Chuck, o parceiro com quem atua pela primeira vez, tenta ser compreensivo e conversar.

Só então Chuck descobre que Teddy tem uma agenda própria nesta ilha, onde procura desvendar uma suposta operação clandestina do governo para o esmagamento de supostos esquerdistas, no auge das atividades do temível Comitê de Atividades Antiamericanas do senador Joseph McCarthy, em 1954.

Partindo do livro de Dennis Lehane, o celebrado autor de "Sobre Meninos e Lobos" (origem do filme homônimo de Clint Eastwood, de 2003), Scorsese torna a história totalmente sua, criando um território aonde leva o espectador pelos sentidos, mas guarda consigo a chave do mistério.

Para isso, cerca-se de alguns dos melhores profissionais à disposição, caso de sua habitual montadora, Thelma Schoonmaker, do desenhista de produção Dante Ferreti, do diretor de fotografia Robert Richardson - responsável pela criação das formidáveis texturas ultracoloridas dos pesadelos de Teddy, com a colaboração do supervisor de efeitos visuais Rob Legato.   Continuação...

 
<p>Ator Leonardo DiCaprio participa de coletiva de imprensa para promover seu filme "Ilha do Medo" em T&oacute;quio. O suspense ambientando nos anos 50, dirigido por Martin Scorsese, estreia neste fim de semana em circuito nacional. 11/03/2010œ REUTERS/Yuriko Nakao</p>