Nova produção "Aida" omite pirâmides em favor de rituais pagãos

quarta-feira, 28 de abril de 2010 13:03 BRT
 

Por Mike Collett-White

LONDRES (Reuters Life!) - Elefantes e pirâmides egípcias deram lugar a violência étnica, rituais pagãos e morte na nova produção, repleta de sangue e sexualidade, apresentada pela Royal Opera House de Londres da clássica ópera "Aida", de Verdi.

O diretor David McVicar e o designer de produção Jean-Marc Puissant buscaram enraizar a narrativa no passado, mas evitar uma ambientação em um lugar específico, para tentar tornar a história mais relevante para um público contemporâneo.

Assim, em lugar de destacar o antigo Egito, outras influências, desde astecas a guerreiros samurais, estiveram entre as inspirações dos figurinos e cenários da ópera.

Puissant também baseou-se em fotos da capital afegã Cabul, devastada pela guerra civil, e em pinturas de Mark Rothko para criar um pano de fundo escuro, quase sem cor, para a história sangrenta.

Cadáveres esfolados ficam suspensos sobre o palco na cena que ocorre no templo da deusa Ísis, e homens são sacrificados após uma erótica dança da morte, em uma produção que dividiu o público que lotou o teatro na estreia da ópera, na terça-feira.

Os cantores foram fortemente aplaudidos, mas, quando a equipe de produção subiu ao palco, ao término do espetáculo, alguns espectadores a vaiaram.

"A intenção principal de meu design de produção foi seguir as diretrizes do diretor... para que os temas de Verdi fossem vistos como o que são, e não através do visual do cartão postal do Egito", disse Puissant em entrevista.

"Acho que isso provocou algum espanto, mas estou muito satisfeito com isso", acrescentou, indagado o que achou das reações na estreia.   Continuação...