Beethoven leva luz à ilha isolada pela lepra na Coreia do Sul

quinta-feira, 6 de maio de 2010 10:43 BRT
 

Por Jonathan Thatcher

SOROKDO, Coreia do Sul (Reuters Life!) - Numa pequena ilha, há muito tempo um local de desolação, as quatro notas mais famosas da música clássica -- tocadas por uma de suas mais famosas orquestras -- ressoaram durante um belo dia de primavera.

"Eu senti que o fluir da música foi maravilhoso. Meu coração parecia ter se purificado", disse um senhor idoso da antiga colônia isolada pela lepra.

Ele estava falando com um repórter depois da apresentação da quinta sinfonia de Ludwig van Beethoven pela Orquestra Filarmônica Britânica nesta semana, sob a regência do renomado maestro e pianista Vladimir Ashkenazy.

Relembrando a vida durante anos como um excluído da sociedade nessa ilha no extremo sul da Coreia do Sul, o homem, com seus membros torcidos pela lepra, pediu para não ser identificado ou filmado.

"Você nunca pode ficar indiferente ao ouvir essa sinfonia. Ela eleva o espírito toda vez... É uma das peças mais grandiosas, escrita por um dos maiores compositores que já viveu nessa miserável terra", disse Ashkenazy, que doou parte do tempo da turnê de sua orquestra na Ásia ao concerto.

A introdução marcante da sinfonia tem sido associada, supostamente pelo próprio compositor, ao destino batendo à porta. Ashkenazy rejeitou educadamente essa suposição.

"Se você diz isso, tudo bem. Mas ainda é ótima música. Ainda sentimos o que deveria significar... Porque música não pode ser traduzida em palavras", disse ele à Reuters.

O maestro também conduziu a orquestra em duas músicas de um dos mais antigos astros do pop sul-coreano, Cho Yong-pil.   Continuação...