ESTREIA-"A Hora do Pesadelo" recomeça saga de Freddy Krueger

quinta-feira, 6 de maio de 2010 14:39 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Produto da mente fértil do roteirista e diretor americano Wes Craven (da trilogia "Pânico" e "A Maldição dos Mortos-Vivos"), Freddy Krueger é um dos ícones mais lembrados quando o assunto é cinema de terror. Seja por seus dez filmes já lançados - o primeiro em 1984 -, ou as três séries de TV que protagonizou, o personagem parece tão imortal quanto suas histórias.

Ao lado de Jason Vorhees (o assassino de "Sexta-Feira 13", com quem já duelou em "Freddy vs. Jason", 2003), Krueger tornou-se um produto cultuado por aqueles que se divertem com o terror splatter. De forma comum, a denominação é indicativa para produções com muito sangue e quase nenhuma lógica - formato usual de Craven.

De olho na espantosa sobrevivência do vilão na memória do público, o estúdio New Line Cinema resolveu apostar em sua volta, no filme novamente chamado "A Hora do Pesadelo", estreando em circuito nacional. Tal como fez em 2009 com "Sexta-Feira 13", a empresa produziu uma refilmagem sobre a origem do personagem, mostrando o início de uma vingança que se estende há 26 anos.

A trama é a mesma: jovens de uma mesma cidade, Springwood, passam a ser aterrorizados por pesadelos que parecem reais. Em todos os sonhos, eles são perseguidos por uma figura deformada, com afiadas luvas de jardinagem, que sente prazer em torturá-las.

Quando esses garotos começam a morrer das piores formas enquanto dormem, as próximas vítimas, Nancy (Rooney Mara) e Quentin (Kyle Gallner), devem correr para descobrir por que e por quem estão sendo perseguidos.

Quem conhece o histórico dos nove filmes anteriores, sabe que Freddy (agora interpretado por Jackie Earle Haley, de "A Ilha do Medo") foi queimado vivo por uma turba de pais descontentes. Como em uma espécie de versão macabra do clássico "Flautista de Hamelin", ele volta para se vingar, usando as crianças como instrumento.

Apesar de se tratar apenas de uma refilmagem, uma série de fatores causa desconforto no novo "A Hora do Pesadelo". A previsibilidade das cenas, a falta de competência para contar uma história, a má atuação do elenco e do diretor, Samuel Bayer, que não consegue dar agilidade ao roteiro, são apenas alguns pontos.

Se em 26 anos não foi possível tornar a franquia mais ousada, original e vigorosa, das duas, uma: ou não se aprendeu nada sobre horror nestes anos, ou não se aprendeu nada de eficiente. A simples imitação é sinal de involução não só do gênero mas também da indústria cinematográfica.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

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