10 de Maio de 2010 / às 16:37 / 7 anos atrás

Cantora e atriz norte-americana Lena Horne morre aos 92 anos

<p>A cantora e atriz norte-americana Lena Horne em 1994. Horne, uma beldade de parar o tr&acirc;nsito que lutou contra o racismo em um esfor&ccedil;o frustrante para tornar-se a primeira atriz principal negra de Hollywood e mais tarde foi aclamada como cantora, morreu aos 92 anos de idade. REUTERS/Carol Friedman/Blue Note/Divulga&ccedil;&atilde;o</p>

WASHINGTON (Reuters) - A cantora e atriz Lena Horne, uma beldade de parar o trânsito que lutou contra o racismo em um esforço frustrante para tornar-se a primeira atriz principal negra de Hollywood e mais tarde foi aclamada como cantora, morreu aos 92 anos de idade.

Horne morreu na noite no domingo em um hospital de Manhattan, informou uma porta-voz do hospital, que não informou a causa da morte.

Horne foi a Hollywood no final dos anos 1930, e embora nunca tenha se tornado grande estrela de cinema, é vista como precursora que abriu caminho para atrizes negras conseguirem papéis maiores em Hollywood.

Conhecida como a “Cinderela negra” no início de sua carreira, ela era uma pessoa tão complexa quanto bela. Tinha reputação de ser fria e insegura, e suas frustrações profissionais a tornaram amarga.

Com seus olhos grandes, sorriso brilhante e pele morena clara, seu biógrafo James Gavin disse que Hollywood via Horne como “uma negra suficientemente bela -- à moda caucasiana -- para ser aceita pelos americanos brancos”. Até então, as negras geralmente só faziam papéis de empregadas ou prostitutas, papéis que Horne rejeitava.

Muitas de suas participações em filmes nos anos 1940 e 1950 se limitaram a canções que não influíam sobre a trama e que podiam facilmente ser excluídas das exibições dos filmes no sul do país, onde as plateias brancas poderiam protestar contra a aparição de uma atriz negra.

Seu primeiro papel substancial no cinema só aconteceu em 1969, quando ela foi cafetina e amante de Richard Widmark em “A Morte de um Pistoleiro”. Seu único outro papel no cinema depois disso foi de Glinda, a Bruxa Boa, em “O Mágico Inesquecível”, adaptação de “O Mágico de Oz” feita com um elenco inteiramente negro.

“Eu odiava Hollywood e me sentia muito solitária”, disse Horne em entrevista à revista Time. “Os atores negros se sentiam muito pouco à vontade lá.”

Ela voltou para Nova York, onde nasceu, e tornou-se cantora em boates, teatros e na televisão, tendo recebido dois prêmios Grammy.

A vida de Lena Horne era cheia de contradições. Apesar de ser negra demais para chegar ao estrelato em Hollywood, quando menina era espezinhada por seus pares por sua pele morena clara. Ela fez campanha pelos direitos civis nos anos 1950 e 1960, mas admitiu que casou-se com seu segundo marido, Lennie Hayton, um bandleader branco, em 1947, por questões de interesse.

“Me casei com ele porque ele podia me levar a lugares que um negro não poderia”, disse ela à Time. “Mas aprendi a amá-lo de verdade. Ele era lindo, era bom demais.”

Horne e Hayton ficaram casados até a morte dele, em 1971.

Horne nasceu em Nova York em 30 de junho de 1917. Seu pai era um apostador que abandonou a família quando ela era bebê e sua mãe era atriz que frequentemente deixava Lena com seus avós enquanto viajava em uma trupe de atores negros.

Antes de ir a Hollywood, Horne, aos 16 anos, começou sua carreira como dançarina no Cotton Club, famosa boate do Harlem onde artistas negros famosos da época se apresentavam para plateias brancas.

Nos anos 1950, seu apoio à causa dos direitos civis levou Horne a ser incluída em uma lista de celebridades com supostas tendências comunistas, o que prejudicou ainda mais sua carreira no cinema.

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