Oliver Stone volta a Wall Street com drama sobre a crise

sexta-feira, 14 de maio de 2010 15:41 BRT
 

Por Mike Collett-White

CANNES, França (Reuters) - Transações feitas com informações privilegiadas, boatos e especulação desregrada movem altas e baixas do mercado e levam empresas à falência em "Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme", que entremeia ficção com fatos reais da crise financeira global.

Oliver Stone retorna ao cenário de seu sucesso de 1987 "Wall Street - Poder e Cobiça", com Michael Douglas de volta no papel do investidor inescrupuloso Gordon Gekko, em um filme em que os grandes bancos tomaram o lugar do indivíduo cheio de cobiça, tornando-se os vilões da história.

Em parte história com moral, em parte thriller sobre vingança e em parte análise dos erros dos mercados financeiros e das autoridades reguladoras, o filme faz sua première mundial no Festival de Cinema de Cannes na sexta-feira e chegará aos cinemas em setembro.

O filme é pontual, chegando neste momento em que crescem os receios quanto à força da recuperação econômica. Stone disse que ele próprio, como outros, ficou confuso quanto a se o capitalismo é uma coisa boa ou má.

"Me parece que o capitalismo é excessivo e desregulado, e eu gostaria de ver uma reforma séria ser empreendida", disse o diretor a jornalistas após uma sessão do filme para a imprensa. "Existem problemas enormes em todo o mundo. Afinal, isso afeta a Grécia, Inglaterra, Espanha, Portugal."

"Em 1987 eu pensava que o sistema iria se corrigir sozinho. Mas isso não aconteceu. Ele piorou."

"Havia um abismo tremendo entre os que ganhavam dinheiro e os que não. Acionistas e altos executivos ganhavam dinheiro, mas profissionais e trabalhadores comuns, não", acrescentou. "Há uma desigualdade e injustiça tremenda nisso, e isso precisa ser corrigido."

Michael Douglas, que recebeu um Oscar por sua atuação no primeiro "Wall Street", disse que o fato de o novo filme ser relevante aos acontecimentos atuais não é necessariamente uma coisa boa.   Continuação...

 
<p>Diretor Oliver Stone participa de coletiva durante o festival de cinema de Cannes por seu filme "Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme". REUTERS/Christian Hartmann</p>