19 de Maio de 2010 / às 16:03 / 7 anos atrás

Filmes em Cannes mostram "assaltos" causadores da crise bancária

<p>Diretor Oliver Stone (centro) com os atores Carey Mulligan (dir.) e Shia LaBeouf antes da estreia de "Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme" no Festival de Cannes. 14/05/201 REUTERS/Vincent Kessler</p>

Por James Mackenzie

CANNES (Reuters) - Um retrato devastador de um sistema corrupto e descontrolado emerge de dois documentários sobre a crise financeira que coincidem com o retorno de Oliver Stone a uma Wall Street fictícia no Festival de Cinema de Cannes.

“Inside Job”, dirigido por Charles Ferguson, e “Cleveland versus Wall Street”, do diretor suíço Jean-Stephane Bron, dissecam meticulosamente o desastre que colocou o sistema bancário global de joelhos.

Decompondo uma série altamente complexa de eventos, os filmes examinam o frenesi especulativo que vinculou compradores de casas nos EUA, autoridades complacentes e financistas globais irresponsáveis e, de tudo isso, destilam uma mensagem simples.

“O que aconteceu foi um assalto bancário, mas foi um assalto cometido pelo presidente do banco, não por algum sujeito aleatório que entra com uma arma na mão”, disse Ferguson à Reuters em entrevista.

“Foi um crime cometido pelas pessoas que comandavam o sistema financeiro”, disse ele. “Nós deixamos essas pessoas correrem soltas, sem freios, e elas afundaram o sistema.”

Hoje os nomes mais ilustres de Wall Street estão travando uma batalha de relações públicas para salvar suas reputações da maré de indignação pública contra o setor. Eles dizem que a opinião pública com frequência é injusta e mal informada.

Mas, com o velho vilão Gordon Gekko, criado por Oliver Stone, também presente em Cannes em “Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme”, o clima crescente de ira pública evidentemente se alastrou para o maior festival de cinema do mundo.

“Acho que os banqueiros deveriam estar na cadeia, mas as coisas não acontecem assim”, disse Stone à Reuters em entrevista depois de seu filme ser exibido em Cannes, fora da competição.

“Hoje as pessoas já sabem: que os bancos nos estão ferrando e que eles saíram impunes.”

ENTREVISTAS

Os dois documentários são os equivalentes cinematográficos da onda de livros sobre o derretimento financeiro que vem marcando presença nas listas de livros mais vendidos nos últimos meses, enquanto o público procura explicações sobre o que deu errado.

O filme de Ferguson procura explicar a crise dos bancos. Já Bron emprega o formato de um filme sobre julgamento, para mostrar as vítimas do colapso das hipotecas de alto risco que perderam suas casas quando os ventos financeiros mudaram de direção.

“Todo o mundo conhece o termo ‘hipoteca de alto risco’, mas não sabemos exatamente o que isso significa, o que está por trás desse termo”, disse o diretor. “A gente precisa de personagens. Foi por isso que fizemos o filme no formato de um julgamento.”

Reportagem adicional de Mike Collett-White em Cannes

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