ESTREIA-Stone faz panfleto para Chávez em "Ao Sul da Fronteira"

quarta-feira, 2 de junho de 2010 18:47 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Oliver Stone sempre se interessou por teorias de conspiração. Em "Ao Sul da Fronteira", documentário que dirigiu e entra em cartaz no país nesta sexta-feira, ele coloca um tempero latino em sua obsessão, ao radiografar, um tanto ligeiramente, os governos dos países da América do Sul, em especial o de Hugo Chávez, presidente da Venezuela.

Stone tenta comprovar um argumento: "A política do FMI, bancada pelo ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush usa a América Latina como cobaia para suas experiências". O primeiro a se levantar contra isso, segundo o longa, foi Chávez.

Superficialmente, o diretor analisa as economias e políticas locais, destacando o que considera como heróis nacionais (Chávez, na Venezuela; Lula, no Brasil, e Evo Morales, na Bolívia) em detrimento a processos históricos. Na visão do diretor, a história é resultado daquilo que acontece agora. Pouco, ou quase nada, se fala do passado - a não ser os ecos da Revolução Cubana, de meio século atrás, na América Latina contemporânea.

Usando colagem de imagens à la Michael Moore ("Fahrenheit 11 de Setembro", "Sicko - SOS Saúde"), Stone ridiculariza a mídia norte-americana. Na primeira cena, uma apresentadora do canal Fox confunde cacau com coca. Um mix de clipes da televisão norte-americana mostra como é fácil a manipulação da informação.

Por ironia, o próprio Stone também comete erros sérios, como quando confunde a floresta amazônica com a cordilheira dos Andes num gráfico que pretende informar que, para se chegar da Venezuela à Bolívia, basta um voo em linha reta sobre a cordilheira, quando na verdade, a trajetória é uma reta cruzando o norte do Brasil.

O diretor insiste na tecla dos males do imperialismo norte-americano, mas, ao mesmo tempo, parece se esquecer do fato de que faz cinema nos Estados Unidos e essa é uma das formas mais eficientes da propaganda de seu país.

Mais irônico ainda é o diretor criticar o FOX News, quando seu próximo filme, "Wall Street 2", será lançado pela 20th Century Fox, um dos braços do mesmo conglomerado. Ou seja, ideologia não é bem o que parece guiar os interesses de Stone.

No filme, Chávez é uma figura polêmica e encantadora, divertido e espirituoso. Chama Bush de "burro" e "capeta", arrancando risos de uma plateia, e prega "uma revolução pacífica, mas armada". Cita Simon Bolívar a todo o momento e propõe aquilo que chama de "Revolução Bolivariana para a América Latina".

O filme passa boa parte do tempo acompanhando o presidente da Venezuela e frisando seu processo eleitoral, para deixar bem claro que ele não é um ditador, destacando o seu lado humano. Stone mostra o local onde estava a casinha de palha em que Chávez nasceu e o retrato de sua avó.   Continuação...

 
<p>O cineasta Oliver Stone fala em coletiva de imprensa em Cochabamba, na Bol&iacute;via, para promover seu filme "Ao Sul da Fronteira". O document&aacute;rio entra em cartaz no pa&iacute;s nesta sexta-feira e retrata os governos dos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica do Sul, em especial o de Hugo Ch&aacute;vez, presidente da Venezuela. 01/05/2010 REUTERS/Daniel Caballero</p>