Venda de jornais angolanos traz preocupação com censura

sexta-feira, 4 de junho de 2010 15:41 BRT
 

Por Henrique Almeida

LUANDA (Reuters) - Um novo protagonista na mídia de Angola anunciou na sexta-feira a compra de três dos jornais mais independentes de Angola, suscitando temores com a censura no país africano. Acredita-se que o comprador tenha fortes laços com o governo angolano.

O grupo Media Investments, cujos proprietários são desconhecidos, informou em um comunicado que comprou o Semanário Angolense, A Capital e 40 por cento das ações do Novo Jornal - todos que ficaram conhecidos por denunciar a corrupção no governo.

"Essa foi uma transação normal, ditada exclusivamente por fatores de mercado", disse o grupo em um comunicado.

A iniciativa ocorre no momento em que o Semanário Angolense, o mais crítico dos três jornais com relação ao governo, intensificou suas reportagens sobre a corrupção envolvendo as principais autoridades governamentais.

Manuel Vicente, presidente da empresa estatal de petróleo Sonangol, era alvo frequente do jornal, que o acusou de usar dinheiro da empresa em benefício próprio. A Sonangol repudiou as reportagens.

O fundador e diretor do jornal, Graça Campos, crítico do governo, deixou o Semanário Angolense, afirmou o jornalista Rafael Marques, autor de vários artigos sobre corrupção no jornal.

Marques disse que ele parou de contribuir com o jornal.

"O diretor saiu e me disseram que eu não escrevo mais para o Semanário Angolense", disse ele à Reuters.   Continuação...