29 de Junho de 2010 / às 20:45 / 7 anos atrás

Jack Kevorkian, o "Dr. Morte", admite que sente medo da morte

NOVA YORK (Reuters) - Jack Kevorkian ganhou o apelido de "Dr. Morte" por ter ajudado mais de 130 doentes terminais a cometer suicídio, mas mesmo ele, ativista do direito de morrer, admite que sente medo do inevitável: a morte.

Kevorkian, de 82 anos, é tema de um novo documentário da HBO, "Kevorkian", que passa em revista uma carreira repleta de incidentes que incluíram uma pena de prisão de oito anos e meio, entre 1999 e 2007, por homicídio em segundo grau.

O filme de 90 minutos inclui suas reflexões sobre a vida, a morte e o futuro e entrevistas com familiares, colegas e até mesmo seu ex-colega de cela, além de algumas confissões francas.

"Acho que tenho tanto medo de morrer quanto qualquer outra pessoa", disse Kevorkian, ex-patologista, falando à Reuters TV. "Mas isso é apenas porque vivo confortavelmente."

"Kevorkian" traz à tona um lado criativo que frequentemente passa despercebido no "Dr. Morte": pintor provocativo, compositor, inventor heterodoxo, cineasta de baixa qualidade e péssimo jogador de golfe.

Mas o filme também acompanha uma das figuras mais polarizadoras dos Estados Unidos em sua disputa por uma vaga no Congresso, em 2008.

Então, o que ele acha de sua reputação mundial de "Dr. Morte?"

"Acho que, se dissessem 'Dr. Vida', as pessoas ficariam satisfeitas", disse Kevorkian.

"As pessoas aprendem que a vida é uma dádiva maravilhosa. Claro que é, se você é saudável, come bem e tem um emprego, mas pergunte a alguém em Darfur ou no Afeganistão se acha que a vida é uma dádiva. Muitas pessoas não concordariam."

Kevorkian disse que o mundo tem uma atitude hipócrita em relação à eutanásia voluntária, ou suicídio assistido.

"Evitamos a morte porque não gostamos dela. A religião diz que a morte é o grande inimigo, que não devemos mexer com ela. Mas fomos além do nascimento, influindo sobre a concepção. Agora estamos influindo sobre a morte", disse ele.

"Se podemos ajudar as pessoas a chegarem ao mundo, por que não podemos ajudá-las a deixá-lo?"

O patologista norte-americano de origem armênia disse que não lamenta nada do que fez na vida, nem mesmo sua prisão pela morte, em 1998, de Thomas Youk, de 52 anos, que estava nos estágios finais de uma forma de doença neuronal motora. Imagens de Kevorkian ministrando uma injeção letal a Youk foram exibidas na televisão nacional.

Mas ele admitiu que alguns momentos de seu encarceramento foram tortura.

"Qual foi a coisa mais difícil de suportar na prisão? Ouvir os presos roncando", disse ele.

"Kevorkian" estreou na HBO em 28 de junho, dois meses depois de a rede de TV a cabo ter exibido um filme sobre Kevorkian, "You Don't Know Jack", com Al Pacino no papel-título.

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