ESTREIA-Novo Shrek vive crise de meia-idade e falta criatividade

quinta-feira, 8 de julho de 2010 09:54 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Shrek está cansado! E não parece estar sozinho. Em seu novo filme, "Shrek para Sempre", o quarto da série, o ogro enfrenta uma séria crise da meia-idade, enquanto seus roteiristas e diretor enfrentam uma crise de criatividade. O longa consegue ser um pouco melhor do que o terceiro, lançado em 2007, mas, ainda assim, passa um tanto longe da magia, sagacidade e originalidade do primeiro filme, de 2001.

Em "Shrek para Sempre", que estreia no Brasil em cópias convencionais, 3D e IMAX, nas versões dubladas ou legendadas, há algo de errado no Reino de Tão Tão Distante. Afinal, não faz muito sentido um filme infantil que tem como tema central a crise da meia-idade.

Em todo caso, o novo Shrek segue a linha dos dois últimos filmes, ou seja, vai pela cartilha da animação fofinha, com uma piadinha aqui e outra ali, dezenas de referências pop e olho grande na bilheteria.

O que o primeiro filme trazia de inovador, de audacioso ao revirar o mundo dos contos de fadas e, por consequência, da mentalidade dos desenhos da Disney perdeu-se ao longo de quase 10 anos. Embora os quatro filmes mantenham uma forte identidade visual, a audácia já não faz parte do repertório.

A história, creditada a Walt Dohrn - que também dubla o vilão na versão em inglês -, pega emprestado o mote central de "A Felicidade não se Compra", com a pergunta: como seria o mundo se Shrek não tivesse beijado Fiona?

A resposta vem do acordo que Shrek (voz de Mike Myers, de "Bastardos Inglórios", na versão legendada) faz com o traiçoeiro Rumpelstiltskin - um personagem cooptado de um conto dos irmãos Grimm. Aqui, ele é conhecido por seus acordos com letras minúsculas no rodapé, que, no final das contas, transformam-se em grandes problemas.

Durante a festa de um ano de seus três filhos, Shrek surta. Está cansado de ser marido, pai, motivo de zombaria e não assustar mais ninguém. E enquanto vaga sem rumo encontra Rumpelstiltskin, Rumple, para os íntimos.

Seu acordo consiste em dar ao ogro novamente um dia de glória, como ele tinha no passado, aterrorizando pessoas e correndo como uma fera doida por aí. Em troca, Shrek dá outro dia de sua vida.

Nesse acordo mefistofélico, porém, Rumple consegue reverter toda a história. Shrek não beija Fiona, portanto, ela continuará a sofrer sua maldição (princesa durante o dia, ogra durante a noite). E o próprio Rumple se torna rei de Tão Tão Distante, transformando o local, que parece viver numa eterna Idade Média, num Halloween eterno, um paraíso para bruxas e outras criaturas malignas.   Continuação...

 
<p>Shrek em dia de sua inaugura&ccedil;&atilde;o na Cal&ccedil;ada da Fama de Hollywood. O filme "Shrek Para Sempre" estreia neste final de semana em circuito nacional. 20/05/2010REUTERS/Fred Prouser</p>