July 12, 2010 / 12:23 PM / 7 years ago

EUA se dizem "decepcionados" com libertação de Polanski na Suíça

4 Min, DE LEITURA

<p>O diretor polon&ecirc;s Roman Polanski em Potsdam em 2009. A Su&iacute;&ccedil;a decidiu n&atilde;o extraditar Polanski aos EUA, onde &eacute; acusado de crime sexual contra uma menina de 13 anos em 1977. 19/02/2009Hannibal Hanschke/Arquivo</p>

Por Jill Serjeant e Jason Rhodes

LOS ANGELES/GSTAAD, Suíça (Reuters) - A Suíça anunciou nesta segunda-feira que não vai extraditar Roman Polanski aos Estados Unidos para ser sentenciado por ter mantido relações sexuais com uma menina de 13 anos em 1977 e decidiu libertar o cineasta premiado com o Oscar, que estava detido havia dez meses.

A ministra da Justiça da Suíça, Eveline Widmer-Schlumpf, disse que decidiu contra a extradição em função de potenciais falhas técnicas nos pedidos feitos pelos Estados Unidos a respeito de argumentos de que Polanski já cumpriu sua sentença antes de deixar Los Angeles em 1978.

Mas o Departamento de Estado norte-americano rejeitou o argumento suíço e disse que continuará a brigar por justiça.

"Uma garota de 13 anos foi drogada e violentada por um adulto. Isso não é uma questão de tecnicidade", disse o porta-voz do Departamento de Estado, P.J. Crowley.

"Os EUA acreditam que o estupro de uma criança de 13 anos por um adulto é um crime e continuaremos a buscar justiça neste caso", disse Crowley.

Segundo ele, a decisão de libertar Polanski "envia uma mensagem muito importante sobre como mulheres e garotas são tratadas ao redor do mundo. Colocar este caso de lado baseado em detalhes técnicos pensamos ser lamentável".

Autoridades do Departamento de Justiça dos EUA disseram estar revendo possíveis opções. "Não há como mascarar o fato de que estamos profundamente desapontados pelo o que aconteceu", disse a repórteres o assistente do procurador-geral Lanny Breuer.

Um Homem Livre

Autoridades suíças disseram que o bracelete de monitoramento eletrônico, usado por Polanski, de 76 anos, durante sua prisão domiciliar de dez meses, foi desligado.

"Polanski é um homem livre desde 11h30 de hoje", disse a ministra em entrevista coletiva concedida na capital suíça, Berna.

"Ele poderá ir à França, à Polônia ou qualquer outro lugar onde não será preso."

Uma pessoa que se identificou como assistente de Polanski disse à Reuters que o cineasta deixou seu chalé em Gstaad, onde cumpria prisão domiciliar desde dezembro. Ela se negou a dar detalhes.

Polanski, que recebeu um Oscar de melhor diretor por "O Pianista", seu retrato comovente da vida no gueto judaico de Varsóvia durante a Segunda Guerra Mundial, foi detido em setembro de 2009 após desembarcar em Zurique para receber um prêmio. Ele foi libertado para cumprir prisão domiciliar em dezembro.

Ele confessou-se culpado de ter tido relações sexuais com a menina, mas fugiu dos EUA na véspera de sua condenação, em 1978, porque acreditava que um juiz poderia passar por cima de um acordo judicial fechado, pelo qual sua pena máxima seria os 42 dias que já havia passado na prisão.

Nascido em 1933 de pais judeus poloneses, sua vida foi marcada por uma fuga do gueto de Cracóvia e pelo assassinato de sua esposa grávida, a atriz Sharon Tate, em 1969, por seguidores de Charles Manson, líder de uma seita.

Polanski é conhecido sobretudo por filmes clássicos como "Chinatown", que recebeu 11 indicações ao Oscar, e "O Bebê de Rosemary".

Ele completou seu filme mais recente, "O Escritor Fantasma", baseado em um best-seller de Robert Harris, enquanto estava em prisão domiciliar na Suíça.

Reportagem adicional de Catherine Bosley e Silke Koltrowitz, em Zurique; de Thierry Leveque e Julien Ponthus, em Paris; e de Andrew Quinn e Jim Vicini, em Washington

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