ESTREIA-Com atraso, chega a cinemas do país "À Prova da Morte"

quinta-feira, 15 de julho de 2010 14:05 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Com quase três anos de atraso, finalmente chega aos cinemas "À Prova de Morte", produção de 2007 escrita e dirigida por Quentin Tarantino.

O filme é uma segunda parte do projeto "Grindhouse", que o diretor de "Cães de Aluguel" idealizou com o cineasta Robert Rodriguez (de "Sin City") como homenagem às projeções de terror da década de 1970, que eram exibidas nos drive-in americanos.

A demora para seu lançamento é explicável. Quando foi lançado nos EUA, há três anos, o projeto foi um fracasso de público. Na época, parte da crítica dizia que os jovens de hoje não entendiam - ou simplesmente não gostavam - da estética daquela época: produções de baixo orçamento, em que a exploração da imagem de monstros, sangue e sexo é maior do que propriamente a narrativa.

Assim, o projeto foi repartido em dois filmes, que, embora complementares, pudessem ser comercialmente viáveis de forma independente. A fraca repercussão de "Planeta Terror" (assinado por Rodriguez) no Brasil, em 2008, relegou "À Prova de Morte" à gaveta pela distribuidora Europa, que temia outro fracasso. O filme corria o risco de ficar inédito no Brasil caso outra distribuidora, a PlayArte, não houvesse comprado os direitos.

Apesar de fazerem parte do mesmo projeto, cada produção possui uma trama distinta e qualidades próximas ao gosto de seus realizadores. Enquanto Rodriguez relembrava George A. Romero (do clássico "A Noite dos Mortos Vivos", 1968), com infestações de zumbis, escatologia e deboche, Tarantino volta-se para si mesmo, com seus maneirismos cênicos, filosofias pop, erotismo feminino e violência estilizada. Não por acaso, um olho mais atento pode ver em "À Prova de Morte" uma espécie de jogo da memória de sua filmografia.

Mesmo assim, a homenagem, a seu modo, está ali, ao nos apresentar o misterioso dublê

Stuntman Mike (Kurt Russell), que persegue grupos de garotas pelas estradas com seu possante Chevy Nova negro. Ele as escolhe pela beleza, tal como pelo desafio da caça, cujo fim é claro: matá-las utilizando seu carro - uma analogia transparente de virilidade de grandes automóveis.

No entanto, quando Stuntman Mike encontra o grupo de beldades liderado por Abernathy (Rosario Dawson, de "Sete Vidas"), o dublê percebe que deverá mudar de técnica para assegurar seu intento. O elenco não desafina frente ao diretor, que consegue extrair o que há de melhor dos atores, mesmo nas cenas propositalmente canastronas.

O resultado é mais um vigoroso, embora menor, filme de Tarantino, que consegue ser uma homenagem, ao mesmo tempo em que se mostra uma experiência real dos anos 1970.   Continuação...

 
<p>Quentin Tarantino (esq) e a atriz Zoe Bell em exibi&ccedil;&atilde;o do filme "&Agrave; Prova da Morte" em Berlim em 2007. Com quase tr&ecirc;s anos de atraso, o filme finalmente chega aos cinemas nacionais. 23/07/2007 REUTERS/Fabrizio Bensch</p>