ESTREIA-"Todo Poderoso: O Filme" revê trajetória do Corinthians

quinta-feira, 29 de julho de 2010 10:15 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Fundado em setembro de 1910 por cinco operários, o Corinthians Paulista tornou-se referência dentro do futebol nacional, como time de grande torcida - a Fiel -, títulos, jogadores, glórias, derrotas e renascimentos dramáticos. Um pouco destes primeiros 100 anos de história estão no documentário "Todo Poderoso: O Filme - 100 anos de Timão", que entra em cartaz apenas em São Paulo.

Trata-se do terceiro documentário sobre o time do Parque São Jorge realizado em pouco mais de um ano. Em 2009, chegaram às telas, passando rapidamente para o DVD, outros dois documentários: "Fiel", de Andréa Pasquini, destacando alguns dos torcedores que são talvez o maior diferencial da nação corinthiana (já se disse que a Fiel é "uma torcida que tem um clube", devido à sua paixão); e "23 anos em 7 segundos - O fim do jejum corinthiano", de Di Moretti e Julio Xavier, que focaliza o histórico gol de Basílio no jogo contra a Ponte Preta, em 1977, que encerrou um jejum de 23 anos sem títulos.

Com muitos assuntos para tratar, os diretores Ricardo Aidar e André Garolli, esbaldam-se nas imagens de arquivo, traduzindo um admirável esforço de pesquisa e restauração. Os corinthianos fanáticos podem desfrutar, assim, de algumas imagens inéditas, como o primeiro registro em movimento do time, em 1929, cenas das décadas de 40 e 50, como a vitoriosa excursão corinthiana à Suécia, em 1952, e gols sensacionais do "trio de ouro", Cláudio, Luizinho e Baltazar, ídolos dos anos 50.

Não só esse trio, mas muitos outros jogadores que fizeram a história do clube, percorrem o filme. Caso de Amílcar Barbuy, primeiro jogador corinthiano a vestir a camisa da seleção, lembrado em emocionado depoimento de seu filho; Manuel Nunes, o Neco, recordista de anos de permanência no clube (17 anos) e que protagonizou nos anos 20 um folclórico episódio em campo, em que teria ameaçado com o cinto (que naquela época os jogadores usavam para segurar o calção) um juiz que o estaria perseguindo.

Falam ainda Vladimir, recordista de jogos com a camisa alvinegra (805); Ronaldo Giovanelli, goleiro por dez anos; Sócrates e Casagrande, personagens de ponta da célebre fase da Democracia Corinthiana, nos anos 80; Neto, homem-chave da conquista do primeiro campeonato brasileiro do clube, em 1990; Basílio, autor do heróico gol de 1977; Marcelinho Carioca, ídolo do final dos anos 90; e mesmo o ex-jogador palmeirense Ademir da Guia, filho de um craque corinthiano nos anos 40, Domingos da Guia.

Com tanto espaço para os jogadores e seus gols, não poderiam faltar legítimos representantes da torcida, como Tia Dirce, fanática há décadas pelo time, que determina que, quando morrer, suas cinzas sejam espalhadas pelo Parque São Jorge. Indagada se, no funeral, quer ser cremada com a camisa corinthiana, ela logo protesta: "Não! Com a camisa do Palmeiras, porque essa tem que queimar...". Outros torcedores que comentam episódios de sua relação especial com o clube são os jornalistas Juca Kfouri e Marília Gabriela e o presidente Luiz Inácio da Silva.

Até a política entra em alguns capítulos da história do clube. O jornalista Chico Malfitani - em cuja garagem, em 1969, foi fundada a torcida organizada Gaviões da Fiel, hoje com 87.000 integrantes - lembra que a primeira vez que uma faixa pró-anistia apareceu num evento público, no final dos anos 70, em plena ditadura, foi entre as fileiras da Gaviões.

Sócrates, por sua vez, comenta a ousadia da Democracia Corinthiana, de sugerir eleição direta de dirigentes e autogestão no clube nos últimos anos da ditadura militar, nos anos 80 - o que acarretou uma campanha de parte da imprensa contra ele, que era chamado de "alcoólatra" e a Casagrande, tido como "drogado" e alvo de perseguição da polícia na época.

A montagem eficiente de Jaime Queiroz e a música de Marcos Levy e André Abujamra valorizam o material e enfatizam, naturalmente, para a emoção. Os corações corinthianos não têm por que resistir.   Continuação...