ESTREIA-Em "A Origem", Leonardo Di Caprio é um invasor de sonhos

quinta-feira, 5 de agosto de 2010 10:28 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O cineasta inglês Christopher Nolan teria passado dez anos escrevendo o roteiro de "A Origem" -- o estranho título brasileiro para seu novo trabalho, "Inception", que vem liderando as bilheterias norte-americanas e já arrecadou mais de 193 milhões de dólares. Ao assistir a esta audaciosa ficção científica, é possível entender porque Nolan levou todo esse tempo.

A matéria-prima da história são os sonhos, não em si mesmos, mas como território para uma nova modalidade de crime -- o roubo de ideias de pessoas enquanto estão dormindo, quando ladrões invadem seus sonhos.

O maior especialista nesta audaciosa espionagem industrial do subconsciente é Dom Cobb (Leonardo Di Caprio), que trabalha armado com um arsenal que inclui drogas poderosas, equipamentos de última geração e um time de auxiliares de primeira. Entre eles, o primeiro-assistente, Arthur (Joseph Gordon-Levitt, de "500 Dias com Ela"), o designer de ambientes Nash (Lukas Haas), o químico Yusuf (Dileep Rao, de "Avatar") e o faz-tudo Eames (Tom Hardy).

Até agora, o trabalho básico de Dom foi extrair ideias, ganhando muito com isso no competitivo mundo corporativo. Até que aparece Saito (Ken Watanabe, de "Cartas de Iwo Jima"), um bilionário que o procura para fazer justamente o contrário: implantar uma ideia na cabeça de outro ricaço, o concorrente Robert Fischer (Cillian Murphy), levando-o a dividir o império que está para herdar do pai moribundo (Pete Postlethwaite).

A missão é arriscada, mas não impossível. E Dom tem uma razão especialíssima para aceitar -- Saito lhe oferece a possibilidade de eliminar o problema que o está impedindo de voltar aos EUA, para junto de seus filhos. Uma situação que tem a ver com o inquietante fantasma (ou é apenas memória?) de sua mulher, Mal (Marion Cotillard, de "Nine"), que atormenta todos os sonhos de Dom. Aliás, por conta de seu trabalho, ele só consegue sonhar com auxílio de seus aditivos químicos.

Na primeira metade do filme, Nolan empenha-se em definir os limites deste fascinante mundo imaginário, que funciona movido por leis próprias. Não é fácil seguir a narrativa, especialmente depois que se instalam os sonhos dentro dos sonhos necessários para completar a missão na mente de Fischer.

Atuando como uma espécie de guia do espectador, que fará algumas das perguntas que este poderia fazer, entra em cena Ariadne (Ellen Page, de "Juno"), a nova arquiteta que substitui Nash na idealização dos cenários dos sonhos -- o que é necessário para produzir ilusões que ajudem a enganar o sonhador que teve sua mente invadida. De Ariadne, como o nome sugere (lembrando a lenda grega de Teseu e do Minotauro), Dom espera que projete um labirinto muito especial, do qual só sua equipe consiga sair.

"A Origem" tem muita ação, perseguições, lutas, tiros, mas com direito a muitas situações surreais -- a cidade de Paris dobrando-se sobre si mesma, como se fosse de papelão, voos de carros e pessoas, desabamento de prédios em série, engolidos por água, e muito mais. A turma de efeitos especiais trabalhou bem, mas os dublês foram mais requisitados ainda, porque Nolan procura uma espécie de realismo dentro do sonho que lhe dê uma certa verossimilhança.

Ainda assim, dentro dos sonhos, vale tudo -- os colegas de Dom assumem disfarces e é possível escapar deles "morrendo". Mas também há o risco de cair num limbo e não voltar mais.   Continuação...

 
<p>Leonardo DiCaprio em lan&ccedil;amento do filme "A Origem" em Hollywood, que entra em circuito nacional nesse final de semana. 13/06/2010 REUTERS/Mario Anzuoni</p>