August 6, 2010 / 4:26 PM / in 7 years

Ministro diz que cultura chinesa moderna é "vulgar"

3 Min, DE LEITURA

PEQUIM (Reuters Life!) - O ministro da Cultura chinês criticou nesta sexta-feira os setores editorial, de rádio e televisão do país, que estão em franco crescimento, dizendo que boa parte do que produzem é "vulgar" e "brega."

"Publicamos mais de 300 mil livros por ano, mas quantos deles poderiam ser comparados aos escritos herdados de nossos antepassados?", disse Cai Wu à agência de notícias estatal Xinhua.

"Produzimos cerca de 400 filmes e centenas de programas de TV dramáticos por ano, mas quantos deles serão reconhecidos como clássicos?"

De acordo com a notícia publicada pela Xinhua, uma parcela excessiva de publicações chinesas enche suas páginas de "fofocas e histórias sensacionalistas que advogam a adoração do dinheiro e do consumismo."

As "publicações vulgares" são uma decorrência lamentável das reformas econômicas de mercado da China, nas quais "um sistema orientado ao lucro faz o entretenimento barato passar por cultura", acrescentou Cai.

De acordo com o ministro, parte da culpa recai sobre os governos locais, que gastam dinheiro com obras ostentatórias, como edifícios novos e feitos para chamar a atenção, em lugar de instalações e programas culturais básicos.

"Alguns governos e representantes locais vêm ignorando ou deixando em segundo plano a construção cultural socialista", disse Cai à Xinhua.

"No mundo de hoje, a cultura e a economia de um país são inseparáveis. O governo deve prestar mais atenção à cultura e à originalidade se quiser melhorar a qualidade do desenvolvimento econômico."

A mídia estatal ainda é rigidamente controlada quando se trata da cobertura de temas políticos delicados ou desastres, mas goza de muito mais liberdade no tocante às matérias sobre estilo de vida.

De tempos em tempos o governo reprime programas de TV-realidade ou telenovelas que tratam de temas sensacionalistas, como casos extraconjugais.

Mas muitos jovens chineses vão à Internet para assistir a programas muito mais ousados transmitidos desde Taiwan, rival político da China.

Reportagem de Ben Blanchard

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