Ministro diz que cultura chinesa moderna é "vulgar"

sexta-feira, 6 de agosto de 2010 13:21 BRT
 

PEQUIM (Reuters Life!) - O ministro da Cultura chinês criticou nesta sexta-feira os setores editorial, de rádio e televisão do país, que estão em franco crescimento, dizendo que boa parte do que produzem é "vulgar" e "brega."

"Publicamos mais de 300 mil livros por ano, mas quantos deles poderiam ser comparados aos escritos herdados de nossos antepassados?", disse Cai Wu à agência de notícias estatal Xinhua.

"Produzimos cerca de 400 filmes e centenas de programas de TV dramáticos por ano, mas quantos deles serão reconhecidos como clássicos?"

De acordo com a notícia publicada pela Xinhua, uma parcela excessiva de publicações chinesas enche suas páginas de "fofocas e histórias sensacionalistas que advogam a adoração do dinheiro e do consumismo."

As "publicações vulgares" são uma decorrência lamentável das reformas econômicas de mercado da China, nas quais "um sistema orientado ao lucro faz o entretenimento barato passar por cultura", acrescentou Cai.

De acordo com o ministro, parte da culpa recai sobre os governos locais, que gastam dinheiro com obras ostentatórias, como edifícios novos e feitos para chamar a atenção, em lugar de instalações e programas culturais básicos.

"Alguns governos e representantes locais vêm ignorando ou deixando em segundo plano a construção cultural socialista", disse Cai à Xinhua.

"No mundo de hoje, a cultura e a economia de um país são inseparáveis. O governo deve prestar mais atenção à cultura e à originalidade se quiser melhorar a qualidade do desenvolvimento econômico."

A mídia estatal ainda é rigidamente controlada quando se trata da cobertura de temas políticos delicados ou desastres, mas goza de muito mais liberdade no tocante às matérias sobre estilo de vida.   Continuação...