6 de Agosto de 2010 / às 19:17 / 7 anos atrás

ENTREVISTA-Rob Reiner fala de seu filme mais recente, "Flipped"

Por Bob Tourtellotte

LOS ANGELES (Reuters Life!) - Rob Reiner já dirigiu filmes como “Harry e Sally - Feitos Um Para o Outro”, “This is Spinal Tap” e “Conta Comigo”. Seu novo filme, “Flipped”, é uma comédia romântica que estreia nas principais cidades dos EUA na sexta-feira.

O filme traz Madeline Carroll e Callan McAuliffe como dois adolescentes que vivem os altos e baixos do primeiro amor.

Reiner, que também será recordado como Mike “Meathead” Stivic na sitcom “All In The Family”, falou sobre o filme, seu interesse pela política e porque ele nunca vai ser candidato a um cargo político.

Pergunta: Como você decide qual será seu próximo projeto, e o que o levou a escolher este?

Resposta: Sempre procuro alguma coisa com a qual eu possa sentir alguma ligação emocional, personagens que estão passando por algo pelo qual já passei ou estou passando, para que eu possa entender as emoções. É o único jeito que consigo trabalhar. Quando li o livro sobre o qual o filme é baseado, de Wendelin Van Draanen, me lembrou dos sentimentos que eu tinha aos 12 anos, do meu primeiro amor. Foi algo muito semelhante ao que senti quando fiz “Conta Comigo”.

P: É verdade que foi seu filho quem lhe mostrou o livro?

R: É verdade, sim. Ele tinha 11 anos, estava na quinta série e tinha que ler o livro. Pediu que eu o lesse com ele. E eu fiquei espantado com a inteligência e sofisticação do livro, de como ele realmente entende todos aqueles sentimentos fortes e complicados do primeiro amor. A autora realmente captou aquilo pelo qual os meninos e as meninas passam. Não era uma visão juvenil da coisa - era profundo e cheio de insight.

P: O livro é ambientado no presente, mas você transportou a história para o final dos anos 1950, início dos 1960. Por que?

R: Porque me lembrou tanto de como eu me sentia naquela idade que eu achei que a história deveria acontecer naquela época.

P: Os anúncios do filme lembram às pessoas que “você nunca esquece seu primeiro amor”. Você ainda se lembra do seu?

R: Com certeza. Eu tinha 12 anos, o nome dela era Cathy e ela era loira e lindinha, como Hayley Mills em “O Grande Amor de Nossas Vidas”. Trocamos pulseiras de identificação, tentei beijá-la e ela me bateu com a escova de cabelos. Foi assim que percebi que era amor - eu estava disposto a suportar dor para roubar um beijo.

P: Você continuou em contato com ela?

R: Não, mas é interessante. Hoje ela mora a duas quadras de mim, bem pertinho de meu escritório, e às vezes eu saio alguns quarteirões do meu caminho só para passar pela casa dela. Mas nunca mais a vi.

P: Há um clichê que recomenda “nunca trabalhe com crianças”, mas você parece sentir afinidade com elas e ter dom para escolher e dirigir atores mirins.

R: Já trabalhei muito com crianças, e foi muito mais fácil fazê-lo neste filme que em “Conta Comigo”. Naquele filme, algumas das crianças tinham pouquíssima experiência atuando, então tive que ir ensinando-as enquanto rodávamos o filme. Mas desta vez foi muito diferente. Eu já tinha visto Madeline fazendo a filha de Kevin Costner em “Promessas de Um Cara de Pau” e a achei fantástica. Quando a conheci pessoalmente, adorei. Callan é na verdade australiano e tinha um sotaque muito forte. Tivemos muita dificuldade para escolher o ator para esse papel. Normalmente, nessa idade, se você é um garoto bonito, já estará interessado em meninas na vida real, já curtirá esportes, então é difícil achar um bom ator dessa idade. Mas assistimos a uma fita dele com um sotaque americano perfeito e o chamamos; ele e Maddy ficaram perfeitos juntos.

P: Você ainda é politicamente ativo?

R: Até certo ponto, mas não tanto agora.

P: Deve ser quase impossível dedicar atenção a uma carreira em Hollywood e à política ao mesmo tempo.

R: Você tem razão, é impossível. O que aconteceu foi que, durante sete anos, enquanto fiz apenas dois filmes que não foram meus melhores, fui presidente de uma comissão estadual. Tive um emprego para o governo, já que eu fizera aprovar a Proposição 10 (um aumento nos impostos sobre o tabaco na Califórnia que financiou programas para a primeira infância). Fiquei muito focado nisso e meu trabalho com cinema ficou em segundo plano. Então tentei fazer aprovar outra iniciativa que fracassou. Houve toda uma campanha difamatória, o caldo engrossou, e eu percebi que não precisava daquilo.

P: Você não estava pensando em disputar o governo do Estado com Schwarzenegger em 2006?

R: Sim, mas discuti o assunto com minha família e tive apenas 40 por cento das intenções de voto - em minha própria família! Então não levei adiante.

P: Ainda restam algumas aspirações políticas?

R: Nenhuma. A política é um negócio sujo. Hollywood é fichinha comparada à política.

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