Cinema reabre as portas 23 anos depois na Cisjordânia

sexta-feira, 6 de agosto de 2010 16:52 BRT
 

JENIN, Cisjordânia (Reuters) - A tela grande está de volta a Jenin, após um período de 23 anos, num símbolo de recuperação para uma cidade da Cisjordânia que já foi um bastião de milícias armadas no auge da rebelião palestina contra a ocupação israelense.

O Cine Jenin, que fechara em 1987, fez na quinta-feira sua primeira sessão, com um documentário chamado "Coração de Jenin", cuja produção motivou a reforma da sala.

O filme conta a história de Ismail Khatib, cujo filho foi morto em 2005 por soldados israelenses que confundiram sua arma de brinquedo com uma de verdade. O pai traumatizado, num raro gesto de perdão, doou os órgãos do menino para pacientes israelenses.

"Reconstruímos o cinema em cima de uma mensagem de Ismail: há esperança", disse o diretor do documentário, o alemão Marcus Vetter. Depois de receber vários prêmios pelo filme, Vetter percebeu que não teria onde exibi-lo na própria Jenin.

Na quinta-feira, o documentário foi visto por 500 pessoas numa sessão de gala, em mais um marco para a transformação pacífica desta cidade outrora sem lei, na fronteira com Israel.

"Vejo meu filho Ahmed em todos esses rostos", disse Khatib à audiência.

O primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, presente à sessão, disse à Reuters que o evento "mostra a determinação do nosso povo para encerrar o capítulo do desespero e abrir o capítulo da esperança."

No auge da segunda intifada (rebelião) palestina, que teve início há cerca de dez anos, a cidade chegou a ser conhecida como "Jeningrado" -- numa alusão ao cerco nazista contra Leningrado na Segunda Guerra Mundial.

Em 2002, ali ocorreu uma das mais violentas batalhas entre militantes palestinos e tropas israelenses, com dezenas de mortos de ambos os lados.   Continuação...

 
<p>Cinema de Jenin, na Cisjord&acirc;nia, reabriu ap&oacute;s 23 anos. REUTERS/Ammar Awad</p>