Tony Blair doará renda de memórias a soldados feridos no Iraque

segunda-feira, 16 de agosto de 2010 15:24 BRT
 

LONDRES (Reuters) - O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, criticado por muitos britânicos por ter conduzido o país à guerra no Iraque, vai doar a renda de seu livro de memórias a um projeto para ajudar soldados feridos, informou uma entidade beneficente nesta segunda-feira.

Uma porta-voz da Legião Real Britânica, que apoia membros das Forças Armadas servindo atualmente ou que deram baixa, disse que a doação de Blair inclui o adiantamento recebido para escrever as memórias, valor estimado pela mídia britânica em 4,6 milhões de libras (7,2 milhões de dólares).

O lançamento do livro, intitulado "A Jornada", está previsto para 1o de setembro. Segundo a Legião, a renda vai para o "Battle Back Challenge Centre", um projeto criado pela entidade para ajudar na reabilitação de militares seriamente feridos.

Blair está atualmente atuando como enviado do quarteto de paz para o Oriente Médio. Ele foi o trabalhista que mais tempo permaneceu no cargo de primeiro-ministro, tendo vencido três eleições consecutivas, até renunciar em 2007.

No entanto, sua reputação foi ofuscada pela decisão de enviar tropas britânicas para tomar parte na invasão do Iraque, liderada pelos Estados Unidos em 2003, sem um mandado específico das Nações Unidas e contrariando a oposição de muitos britânicos.

Um total de 179 britânicos morreram no Iraque e 331 no Afeganistão, para onde Blair também enviou tropas. Muitos mais ficaram feridos.

Ativistas pacifistas planejam realizar um protesto diante do local onde será lançado o livro de memórias.

Desde que deixou o poder, Blair vem ganhando muito dinheiro com discursos, palestras e serviços de consultoria. Na semana passada, a imprensa reagiu com hostilidade contra Blair ao ser divulgada uma lista de rígidas condições para o dia de autógrafos em setembro, incluindo a proibição de fotografias e o aviso de que Blair não iria fazer dedicatórias especiais no livro.

Peter Brierley, cujo filho, o soldado Shaun, foi morto em um acidente no Kuweit em 2003, durante uma operação do conflito iraquiano, disse ter sido uma coisa boa a doação do livro para soldados feridos.

(Reportagem de Adrian Croft)