ESTREIA-"Comer, Rezar, Amar" aposta no carisma de Julia Roberts

quinta-feira, 30 de setembro de 2010 08:13 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Há um grande contraste em "Comer, Rezar, Amar": em alguns momentos, a protagonista Liz Gilbert arrisca muito em suas opções pessoais; sua intérprete, Julia Roberts, ao contrário, não arrisca nada neste papel em que ela não tem muito esforço a fazer. Dirigido por Ryan Murphy (das séries "Nip/Tuck" e "Glee"), o filme estreia em circuito nacional.

Inspirado na trama supostamente autobiográfica de Elizabeth Gilbert, o filme trata das aventuras da escritora de sucesso de livros de viagem quando deixa o marido, Stephen (Billy Crudup, de "Watchmen - O Filme").

Depois de oito anos, envolve-se com um ator mais jovem e dado ao misticismo hindu (James Franco, de "Homem-Aranha") e arremata a virada por uma longa viagem de um ano, entre Itália, Índia e Bali.

Na verdade, a viagem representou muito menos uma aventura do que parece, já que, na vida real, a autora financiou-a com um adiantamento pelo futuro livro -- e que tirou a sorte grande ao se tornar um bestseller lançado em cerca de 30 países, inclusive no Brasil.

Julia pode ter-se identificado com a personagem, enxergando o alto potencial da história para se tornar um veículo para sua volta a um papel feminino de alto impacto.

Depois de um tempo cuidando dos três filhos pequenos, Julia já tinha voltado ao cinema como uma espiã em "Duplicidade" (2009). A verdade é que, para ela, interpretar Liz Gilbert não representa nenhum desafio.

No papel da divorciada em crise de identidade, a atriz apenas precisa de seu arsenal de rotina para obter uma esperada boa bilheteria. Que até agora não foi assim tão impressionante.

Nos Estados Unidos, até o último fim de semana (24 a 26 de setembro), o filme tinha acumulado cerca de 79 milhões de dólares, recuperando com alguma folga o orçamento estimado em 60 milhões de dólares.

A falta de elementos realmente novos está em todos os detalhes da história. Embora não seja assim tão comum uma mulher bem-sucedida jogar para o alto um casamento estável, como faz Liz com o apaixonado Stephen, nem por isso sua personagem chega a ser uma heroína feminista.   Continuação...

 
<p>Julia Roberts na estreia de "Comer,Rezar,Amar" em Nova York. 10/08/2010 REUTERS/Lucas Jackson/Arquivo</p>