Philip Roth reflete sobre declínio do romance e sobre "Nemesis"

terça-feira, 5 de outubro de 2010 12:49 BRT
 

Por Christine Kearney

NOVA YORK (Reuters) - O escritor norte-americano Philip Roth não gosta de e-books e das influências da tecnologia moderna que desviam a atenção das pessoas, que, para ele, reduzem a capacidade das pessoas de apreciar a beleza e a experiência estética da leitura de livros em papel.

Célebre por romances como "A Marca Humana", Roth acha que não há nada que ninguém possa fazer a respeito disso. No entanto, ao mesmo tempo em que ele transmite o que pensa das novas tecnologias, é difícil não considerar que, ao escrever livros mais curtos -- coisa que ele vem fazendo regularmente desde seu primeiro livro, "Adeus, Columbus", de 1959 -- o próprio Roth está à frente de seu tempo há anos.

"É uma pena. Mas é o que está acontecendo, e não há nada que se possa fazer", disse Roth, de 77 anos, à Reuters, discutindo a paisagem editorial em transformação na era digital durante entrevista concedida para falar de seu novo livro, "Nemesis", lançado nos EUA e Grã-Bretanha nesta terça-feira.

"A concentração, o foco, a solidão, o silêncio, tudo o que é necessário para a leitura séria, não estão mais ao alcance das pessoas."

Começando com o cinema, no século 20, e continuando com a televisão, os computadores e, mais recentemente, redes sociais como o Facebook, o leitor hoje tem sua atenção totalmente distraída, disse ele.

"Hoje vivemos entre telas múltiplas, e não há como concorrer com elas", disse Roth.

Ele não pretende comprar nenhum tipo de aparelho de leitura, como o Kindle da Amazon. "Não vejo utilidade nisso, para mim", explicou. "Gosto de ler na cama, à noite, e gosto de ler livros. Não suporto mudanças."

Em meio à discussão no mundo editorial sobre a possível morte iminente do romance popular mais longo e o crescimento das novelas (romances curtos), graças aos e-books, "Nemesis", com 56 mil palavras, é o mais recente de um ciclo de novelas de Roth.   Continuação...

 
<p>Autor Philip Roth em Nova York em setembro. O escritor norte-americanon&atilde;o gosta de e-books e das influ&ecirc;ncias da tecnologia moderna que desviam a aten&ccedil;&atilde;o das pessoas. 15/09/2010 REUTERS/Eric Thayer</p>