5 de Outubro de 2010 / às 15:52 / em 7 anos

Philip Roth reflete sobre declínio do romance e sobre "Nemesis"

<p>Autor Philip Roth em Nova York em setembro. O escritor norte-americanon&atilde;o gosta de e-books e das influ&ecirc;ncias da tecnologia moderna que desviam a aten&ccedil;&atilde;o das pessoas. 15/09/2010Eric Thayer</p>

Por Christine Kearney

NOVA YORK (Reuters) - O escritor norte-americano Philip Roth não gosta de e-books e das influências da tecnologia moderna que desviam a atenção das pessoas, que, para ele, reduzem a capacidade das pessoas de apreciar a beleza e a experiência estética da leitura de livros em papel.

Célebre por romances como "A Marca Humana", Roth acha que não há nada que ninguém possa fazer a respeito disso. No entanto, ao mesmo tempo em que ele transmite o que pensa das novas tecnologias, é difícil não considerar que, ao escrever livros mais curtos -- coisa que ele vem fazendo regularmente desde seu primeiro livro, "Adeus, Columbus", de 1959 -- o próprio Roth está à frente de seu tempo há anos.

"É uma pena. Mas é o que está acontecendo, e não há nada que se possa fazer", disse Roth, de 77 anos, à Reuters, discutindo a paisagem editorial em transformação na era digital durante entrevista concedida para falar de seu novo livro, "Nemesis", lançado nos EUA e Grã-Bretanha nesta terça-feira.

"A concentração, o foco, a solidão, o silêncio, tudo o que é necessário para a leitura séria, não estão mais ao alcance das pessoas."

Começando com o cinema, no século 20, e continuando com a televisão, os computadores e, mais recentemente, redes sociais como o Facebook, o leitor hoje tem sua atenção totalmente distraída, disse ele.

"Hoje vivemos entre telas múltiplas, e não há como concorrer com elas", disse Roth.

Ele não pretende comprar nenhum tipo de aparelho de leitura, como o Kindle da Amazon. "Não vejo utilidade nisso, para mim", explicou. "Gosto de ler na cama, à noite, e gosto de ler livros. Não suporto mudanças."

Em meio à discussão no mundo editorial sobre a possível morte iminente do romance popular mais longo e o crescimento das novelas (romances curtos), graças aos e-books, "Nemesis", com 56 mil palavras, é o mais recente de um ciclo de novelas de Roth.

Mas o formato econômico do livro, que trata da luta interna de um jovem diretor de playground no momento em que sua comunidade sofre uma epidemia de pólio, surgiu há cerca de oito anos.

"Eu estava curioso para ver se conseguiria condensar, reduzir e mesmo assim escrever algo contundente", explicou Roth.

Ele é conhecido sobretudo por romances em formato longo, como seu controverso "O Complexo de Portnoy", de 1969, e o premiado com o Pulitzer "Pastoral Americana".

Publicado pela Houghton Mifflin Harcourt, "Nemesis" é ambientado em 1944, na cidade natal do autor -- Newark, Nova Jersey --, um lugar que fascina Roth devido a seu declínio.

O tema da poliomielite surgiu porque Roth, visto como mestre em captar a identidade e a angústia americanas, fez uma lista de acontecimentos americanos que testemunhou em sua vida e sobre os quais nunca havia escrito.

O livro é repleto de tradições americanas aparentemente inocentes, como a de servir limonada fresca, mas a sombra da 2 Guerra Mundial se ergue ameaçadora sobre a história. E o pânico que as comunidades demonstram diante da pólio lembra ao leitor que "Nemesis" poderia ser uma história moderna sobre o medo de doenças como a Aids, disse Roth.

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