Museu de Berlim estuda sociedade que gerou Hitler

quarta-feira, 13 de outubro de 2010 17:05 BRT
 

Por Stephen Brown

BERLIM (Reuters) - As soqueiras de metal, os cassetetes e as botas típicas de cano alto que estão na primeira parte de uma nova exposição sobre "Hitler e os Alemães", em Berlim, dão o tom da mostra, um olhar franco sobre a maneira como a sociedade alemã aderiu ao regime nazista em toda sua brutalidade.

Com muitos objetos de época expostos, desde uniformes da SS e Gestapo até um aparador da sala de trabalho de Hitler, a exposição revela como todos os níveis da sociedade alemã -- a imprensa, a indústria, a igreja, as escolas -- reforçaram o culto a Hitler na década de 1930 e a mantiveram ao longo da 2a Guerra Mundial, até o momento em que a derrota se configurou iminente.

Alguns órgãos de mídia têm descrito a mostra, que será aberta na sexta-feira no Museu Histórico Alemão, como uma primeira exposição, quebradora de tabus, sobre o próprio Adolf Hitler. Mas os curadores fizeram questão de destacar que seu foco é sobre a sociedade que gerou o ditador.

"Não queremos focar Hitler, como personalidade", explicou Hans-Ulrich Thamer, curador da exposição cujo subtítulo é "Nação e Crime", na pré-abertura para a mídia nesta quarta-feira.

"Queremos nos aprofundar sobre a ascensão do regime, como ele operou no poder e como caiu, e o potencial destrutivo tremendo desencadeado pelo nacional-socialismo", disse.

A exposição foi montada em um anexo moderno atrás do museu na Unter den Linden -- a avenida cujas tílias, ou "linden", Hitler cortou --, sem anúncios, para obedecer a uma lei alemã que proíbe a exposição de símbolos nazistas.

Em seu interior, porém, o espectador é imerso em um mundo de propaganda política que abrange desde maços de cigarros com o símbolo da suástica, até cartões de uniformes que podiam ser colecionados, passando por um carrinho de mão no qual era vendido o jornal do partido nazista, o "Voelkischer Beobachter."

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<p>Bustos de Adolf Hitler s&atilde;o exibidos em exposi&ccedil;&atilde;o "Hitler e os Alem&atilde;es", em Berlim. REUTERS/Fabrizio Bensch</p>